Yuri da Cunha celebra 20 anos de carreira com show no MEO Arena, em Lisboa

Yuri da Cunha celebra 20 anos de carreira com show no MEO Arena, em Lisboa

 

Pouco passava das 22h40 quando Yuri da Cunha subiu ao palco do MEO Arena, uma das maiores e mais importantes salas de espectáculos de Lisboa, Portugal. Depois de três horas e meia de um show cheio de energia, em que Yuri dividiu o palco com alguns dos artistas mais badalados do momento, uma coisa é certa: este concerto foi, acima de tudo, uma celebração da carreira de um dos nomes incontornáveis da música angolana.

 

Yuri da Cunha saudou o público de Lisboa com uma introdução tribalista e duas dançarinas vestidas com trajes tradicionais. O ritmo acelerado ditava desde o primeiro momento o rumo desta noite: seria impossível ficar parado. Poucos minutos depois, era o próprio, vestido com um blazer vermelho e preto que surgia em palco, perante uma sala bem composta e expectante.

 

O cantor angolano decidiu começar esta noite com o tema “Miúda Lena”. Poucos minutos chegaram para Yuri largar o casaco, ficar à vontade e puxar pelo público. O músico não ficou sem resposta, e Lisboa acompanhou-o a uma só voz, logo de seguida, na música “Eu cheiro bem ”.

 

A primeira ronda pelos clássicos de Yuri terminou com a subida ao palco da moçambicana Lizha James. Vestida de maiô dourado, com joias a condizer e sapatos também na cor do ouro, Lizha “atacou” o palco sem medos, fazendo o público e Yuri dançar ao som de “Quem te mandou”. Pouco depois o cantor entregou então o palco a Lizha e aproveitou para trocar de roupa.

 

O regresso do cantor angolano ao lugar de destaque desta noite, ao palco do MEO Arena, foi feito com um mix dos temas “Amigo”, “Tá doer”, a música que Yuri diz que marca os seus 20 anos de carreira, e “Zig Zig”. Ainda não tinha passado uma hora de concerto e percebia-se já que Yuri e a sua banda são peritos a trabalhar a dinâmica de um show. Momentos de grande euforia, como este, foram alternando com outros de maior calma, emoção e sobriedade.

 

Assim, acalmaram-se as guitarras, as baterias e batuques para dar espaço a “Viola”, um tema cantado em homenagem a Beto de Almeida. No final deste tema Yuri da Cunha deixou porém uma promessa para as próximas horas, espevitando a curiosidade dos presentes: “Tenho muitas surpresas para vocês esta noite”.

 

O músico não tardou em cumprir e, logo de seguida, sem que ninguém esperasse, Yuri convidou Don Kikas para se juntar à festa e acompanhá-lo no tema “Pura sedução”. Escusado será dizer que não havia no MEO Arena quem não cantarolasse este clássico, nem que fosse apenas no refrão.

 

“Regressa” e “Sanzala”, um tema que gravita entre o semba e o samba, prepararam a multidão para a entrada em palco de um novo convidado. Desta vez foi Nelson Freitas quem se juntou a Yuri para cantarem juntos o tema “Saia Branca”. Assim, depois de Moçambique (com Lizha James), foi a vez de convidar Cabo Verde para a festa. E porque esta era uma noite para “ir mais longe”, a segunda música cantada por Yuri e Nelson foi um funaná, criado pelo artista angolano, testemunho do seu carinho pela música e cultura cabo-verdiana.

 

O regresso às raízes aconteceu porém logo em seguida, com Yuri a interpretar “Múxima”, um dos mais relevantes clássicos da música angolana. “Muxima ue ue, muxima ue ue, muxima...” ressuou em todos os cantos desta grande sala de espectáculos, com Yuri e público unidos num sentimento de reverência, de amor e respeito profundos.

 

Porém, e sempre tendo em mente que a festa não pode parar, a calma de “Muxima” deu lugar ao beat contagiante de “Segura o corpo”. Os The Groove foram então convidados pelo anfitrião da noite a subir ao palco e a pôr a dançar a plateia. Não foi difícil, afinal a música diz tudo “põe a mão na cabeça, mão na cintura, segura o corpo, segura o corpo...”.

 

Depois de Yuri cantar uma música especialmente dedicada às senhoras presentes no show, foi a vez de chamar ao palco Maya Cool, que na sua túnica preta de brilhantes, talvez o outfit mais extravagante da noite, interagiu bastante com o público e se mostrou muito cúmplice do principal artista da noite.

 

E porque humor e música caminham hoje lado-a-lado, foi com entusiasmo que o público recebeu Calado Show, o conhecido humorista angolano, que se destaca pela maneira como interpreta os personagens que dão vida às histórias caricatas que vai contando nos muitos palcos que tem pisado ao longo da sua carreira.

 

“Tu és o amor” e “Prometido é devido” foram os temas escolhidos para o momento romântico da noite. Em “Prometido é devido”, uma música que os lisboetas se habituaram a ouvir pela voz de Rui Veloso, Yuri sentou-se sozinho ao teclado e “atirou-se para fora de pé”, dando ao tema uma nova roupagem. Depois do Funaná, foi agradável ver Yuri aventurar-se mais uma vez para fora da sua zona de segurança, mostrando que a música continua a ser um instrumento de partilha e união entre os povos.

 

Evidenciando novamente que a dinâmica deste show foi cuidadosamente pensada, Yuri chamou ao palco os Zona 5 para despertar o público. Duas horas de concerto passadas e, face à energia da audiência, estava claro que Lisboa estava pronta para muito mais.

 

Yuri não gorou as expectativas da multidão e, enquanto aproveitou para mudar de roupa, entregou o palco à dupla B4 (C4 Pedro e Big Nelo), cujos temas têm passado muito nas rádios portuguesas. “É melhor não duvidar” foi assim um dos momentos mais animados, com o público a cantar, a dançar e a filmar enquanto a dupla assistia rendida à festa que se fazia para lá das grades de segurança.

 

Longe de dar por terminada esta celebração, Yuri da Cunha revelou outra das grandes surpresas da noite ao chamar por Paulo Flores, que o acompanhou no tema “Kandengue atrevido”. Juntos, Yuri e Paulo Flores protagonizaram um dos momentos mais altos desta festa, com o semba a ditar as passadas no MEO Arena.

 

O semba cedeu o lugar ao kuduro, com Os Piluka a subirem ao palco e a mostrarem porque são um dos grupos de kuduro mais badalados do momento.

 

Já não faltava muito para esta festa terminar quando Yuri da Cunha, em homenagem a Angola e apelando ao orgulho na pátria, convidou todos a cantar com ele o Hino Nacional de Angola. Este foi o momento mais sóbrio da noite, em que Lisboa viu cantar com emoção as centenas de angolanos que vieram celebrar com Yuri da Cunha esta noite.

 

Anselmo Ralph foi o último convidado da noite e o mais aplaudido pela multidão. O cupido angolano derreteu corações ao cantar “Curtição” e “Única mulher”. Anselmo Ralph, que tem dado vários concertos em Portugal e é hoje uma das caras de um reality show no país, foi presenteado com um público que não só sabia as letras das suas músicas do princípio ao fim, como fazia questão em demonstrá-lo.

 

A celebração dos mais de 20 anos de carreira de Yuri da Cunha terminou com os êxitos "Atchutchutcha" e “Kuma Kwa Kie”. O músico chamou ao palco todos os seus convidados, apresentou a banda e permitiu que este show terminasse em festa dentro e fora do palco.

 

Yuri não teve neste show uma grande produção cénica, bailarinos e coreografias sem fim. Preferiu porém apostar em bons convidados, numa excelente qualidade de som e apresentou-se em Lisboa como poucos o conseguem fazer: como um artista completo que se basta em palco e, claro, os fãs agradecem.

 

Fonte: Sapo Banda

Rádio Jet7 Angola

Vídeos Sugeridos

Procurar Vídeo