Waldemar Bastos actua em Portugal

O músico angolano Waldemar Bastos apresenta, em Abril, dois concertos em Portugal, o mais recente trabalho, “Classics of My Soul”, que gravou com a Orquestra Sinfónica de Londres, informou ontem a EFE.


Os espetáculos em Portugal estão agendados para o dia 28 de Abril, no grande auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e no dia seguinte, na Casa da Música, no Porto, com produção Uguru.


O músico angolano afirmou que não vai ser uma orquestra em palco, mas sim o seu quinteto, com três violinos, sendo as canções interpretadas com “novos arranjos só para cordas”.


Sobre o disco, Waldemar Bastos afirmou: “Para mim, foi um sonho que sempre acalentei pela música de Angola”, disse o músico, referindo que, no seu primeiro álbum, também gravou alguns temas com a Orquestra Municipal do Rio de Janeiro.


“Tive sempre o sonho de cantar uns clássicos da música de Angola, vestidos com outra roupagem, neste caso os arranjos feitos pela Orquestra Sinfónica de Londres”, que é dirigida por Nick Ingman.


O novo álbum, disse, intitula-se “Classics of My Soul” e nele o músico angolano destacou “o papel fundamental” do produtor, Derek Nakamoto, que foi pianista de Michael Jackson.


“Trabalhámos com franqueza relativamente ao que se estava a fazer, o Derek Nakamoto já tem o problema do ego resolvido e era arte o que queríamos fazer”, disse, acrescentando que “foi uma sorte trabalhar com ele, mas foi fundamental para este álbum, em que procuro cantar a alma angolana”, rematou o artista.


 

 

Além de temas cantados em português, o álbum, editado pela Enja, inclui canções em umbundo e em quimbundo. O novo disco inclui ainda 11 temas, entre os quais “Teresa Ana”, “Calção roto no rabo”, “Humbi Humbi Yangue”, “Muxima” e “Mbiri Mbiri”.


“Foi um disco suado, foi duro fazer isto, houve uma longa caminhada para chegar a estes pormenores”, disse o músico, que acrescentou: “Quis realmente mostrar ao mundo aquela música ancestral que é a angolana e os arranjos musicais dão uma maior dimensão à própria realidade da música angolana”.
 

“O violão e a minha voz é que são determinantes neste disco”, sublinhou o músico. Nos palcos portugueses, com Waldemar Bastos (violão e voz), vão estar Derek Nakamoto (piano), Mitchell Long (violão acústico), Mafwala Komba (percussão e bateria) e Jonas Dowouna-Hammond (contrabaixo).
 

Nascido há 59 anos, em Mbanza Congo, no norte de Angola, o músico realçou que nos primeiros tempos foi influenciado pelo seu pai, que compunha música sacra. Hoje, as novas gerações de músicos apontam-no como uma referência, mas não se sente uma estrela.
 

“Falam do meu trabalho, tomam-me como uma referência, mas eu ando na rua, abraço todos e tenho a felicidade, graças a Deus, que tudo sabe, de ser reconhecido em todo o país, em qualquer lado que vá, isso é verdade”, afirmou.
 

Com o disco “Classics of my soul”, Waldemar Bastos conta actuar, ainda este ano, em França, Áustria, Coreia do Sul e Brasil. “Em 2014 provavelmente actuarei em Lisboa, com a Orquestra Gulbenkian”, adiantou.
 

Waldemar Bastos começou a tocar acordeão aos sete anos, seguindo-se as aulas de viola e de formação musical. Constituiu uma banda, a Jovial, com a qual actuou em várias regiões de Angola. Waldemar Bastos formou outros grupos de baile com êxito, como o realizado em Luanda, em 1990, ao qual assistiram 200 mil pessoas, segundo dados do músico.
 

Na década de 1980 viveu no Brasil e, com o apoio do músico Chico Buarque, com o qual colaborou anos antes no projecto Kalunga, gravou o seu primeiro disco, “Estamos Juntos” (1983).
 

Viajou para Paris e, depois, para Lisboa, onde gravou os álbuns “Angola Minha Namorada” (1990) e “Pitanga Madura” (1992). Em 1997, na cidade de Nova Iorque, gravou “Pretaluz” (1997), ao qual se seguiu, em 2002, o disco “20 Anos de Carreira”.
 

Do álbum “Pretaluz”, os temas “Muxima”, “Sofrimento” e “Querida Angola” integraram a banda sonora do filme “Sweepers”, de Dolph Lundgren.
 

O álbum “Renascence” foi lançado em 2005, com o selo da neerlandesa World Connection.
 

A convite de David Byrne, Waldemar Bastos participou ainda na recompilação “Afropea 3: Telling Stories to the Sea”, na qual também participou Cesária Évora.

 

Fonte: Jornal de Angola

Rádio Jet7 Angola

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