Realizadora angolana é elogiada em Madrid

O filme “Por aqui tudo bem”, da realizadora angolana Pocas Pascoal, foi a aposta escolhida para a sessão de encerramento do ciclo “Elas São Cinema”, organizado segunda-feira pela Fundação “Mulheres por África” no auditório do centro cultural “La Casa Encendida”, no nº2 da Ronda de Valência, em Madrid.

 

Sete realizadoras de cinema, nomeadamente, Nádia El Fani (Tunísia), Djamila Shraoui (Argélia), Leila Kilani (Marrocos), Raja Amari (Tunísia), Fanta Réguna Nacro (Burkina Faso), Caroline Kamya (Uganda) e Pocas Pascoal (Angola) foram as convidadas no ciclo de cinema, que privilegiou a perspectiva de género, ao valorizar o olhar deste grupo de mulheres sobre diversas realidades africanas.


É neste contexto que a angolana Pocas Pascoal, com “Por aqui tudo bem”, trouxe a debate o tema da construção da comunidade angolana na Europa, através de uma longa-metragem onde ao registo auto-biográfico se une um profundo trabalho de memória do passado pós-independentista para reflectir sobre a complexidade na construção identitária dos angolanos.


“Por aqui tudo bem” é uma história que transcorre, nos anos 80, quando Alda e a sua irmã Maria, duas adolescentes angolanas emigram à Lisboa e enfrentam as agruras e as dificuldades desta deslocalização forçosa, à espera que a mãe fosse reunir-se com elas, coisa que não acontece.


Mas o filme é muito mais do que esta estória familiar e passa a ser, sobretudo, a história da descoberta do corpo social do emigrante face à sociedade portuguesa que deve acolhê-lo e a história do irresistível florescimento do corpo sexual das duas adolescentes que devem sobreviver nos subúrbios de Lisboa, à beira da idade adulta.


“Por aqui tudo bem” é a quarta obra da filmografia de Pocas Pascoal depois de “Memória de Infância”(1995), “Sempre há alguém que te ama” (2003) e  “Amanhã será diferente”(2009).


O filme “Por aqui tudo bem” foi premiado em Junho de 2012 no Festival de Los Angeles. A película da realizadora angolana foi eleita entre 200 curtas e longas-metragens oriundas de mais de 30 países. Para o grupo de jurados, “a realizadora transformou a sua história pessoal num drama profundamente comovente”.


O filme de Pocas Pascoal, de seu nome completo Maria Esperança Pascoal, entra no circuito comercial em Setembro em Paris e no mês de Outubro em Lisboa. Pocas Pascoal formou-se no Conservatório Livre do Cinema Francês, nasceu em 1963 em Luanda e foi a primeira mulher operadora de câmara da Televisão Pública de Angola (TPA).

 

Fonte: Jornal de Angola

 

Rádio Jet7 Angola

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