Puto Português diz existirem em Angola «bué» de cantores Mana Madó

Puto Português diz existirem em Angola «bué» de cantores Mana Madó

 

Decidido a seguir carreira a solo, sai do kuduro para o semba. Puto Português garante ter ultrapassado o medo, sente-se seguro no semba e não quer sair do estilo. Aponta o novo álbum ‘Ritmo e Melodia’ como um marco na sua ascensão como artista. Sem formação musical, compõe a maior parte das letras que canta, só vive da música, mas admite fazer outros investimentos por causa da instabilidade. Esta noite actua na Casa 70, em Luanda, em mais um espectáculo que compõe o seu ‘tour’ por Angola.

Porquê Puto Português?

O nome ‘Puto Português’ foi dado pelo colega de carreira, o Nacobeta. Na altura, eu era um dos meninos que cantava o kuduro com palavras complicadas do dicionário e afinava muito o português. Muitos artistas vivem de aparência.


Também se sente 'mana madó'?

Em Angola, existe bué, mas não sou assim, porque o que mostro na rua é o que sou no seu todo. Visto bem, tenho um carro bonito e a minha casa também é bonita.


Recebeu críticas quando trocou de estilo?

Recebi muitas críticas, mas mais positivas do que negativas. No principio, fiquei meio apático, quando decidi arriscar sabia que se desse um passo errado nem no kuduro os meus fãs me aceitariam de volta. Graças a Deus, a mudança foi bem aceite pelo público.


Sentiu-se inibido ao entrar no universo das 'feras' do semba?

É verdade que senti um pouco de medo, mas no bom sentido, por saber que são bons artistas e pelo facto de serem artistas que tenho como modelos, como o Yuri da Cunha, Paulo Flores e Bonga. Isso foi também um motivo de encorajamento para poder entrar nesta linha, que não é fácil.


Quem escreve as suas músicas e onde é que se inspira?

As composições são feitas por mim. Alguns amigos contam histórias próprias e pedem-me para as transformar em música. O nosso quotidiano oferece-nos muitas histórias. E também tenho facilidade de compor e transformar os acontecimentos em música.


Fez formação musical?

Não fiz formação. Comecei a fazer kuduro e fui aprendendo com o tempo. Procurei os mais velhos que puderam passar-me experiências e estudei em casa e com os amigos. Fiz algumas investigações e hoje sou este cantor graças ao que fiz.


Acredita que 'Ritmo e Melodia' é o álbum que o vai elevar a outro patamar?

Sinto que sim! Por ser um álbum muito adulto. Consegui crescer mais, claro que não fugindo no meu estilo que os fãs estão acostumados a ouvir. O ‘Ritmo e Melodia’ deu uma ascensão à minha carreira profissional. Os concertos esgotam e o trabalho tem tido uma óptima aceitação.


O que poderá ter contribuído para isso?

Trabalhar com alma acima de tudo, fazer as coisas de coração e dar ao público aquilo que ele merece.


Maioritariamente canta em português, porquê?

O português é o que mais me facilita. Procuro sempre interpretar alguns temas em língua nacional para promover a nossa cultura.


Se tivesse de cantar uma música para reconquistar os fãs do kuduro, qual seria?

‘Wakimono’! Porque foi a música que tocou no coração do público e fez com que me conhecessem.


Há uma intenção de gravar novamente um disco de kuduro?

Não! Acho meio difícil, porque sinto-me mais confortável em fazer o que faço agora. O trabalho que faço hoje já me limita a fazer outros, mas não me impede de fazer participações e escrever até porque ainda escrevo kuduro, componho e produzo.


Qual é a apreciação que faz do kuduro hoje?

Já esteve muito mais forte. O kuduro está a perder a sua essência através das tendências de afro-house, dance, etc., mas continua no bom caminho. Por outro lado alguns artistas estão a fugir e os que entram trazem muitas misturas e estão mais preocupados com o imediatismo e estão a esquecer as próprias raízes do kuduro.


Ontem kudurista, hoje sembista, os fãs podem esperar um romântico amanhã?

Sou romântico por natureza, profissionalmente é difícil. Vamos deixar para o Anselmo esse lado.


Qual foi o palco que mais o marcou?

Foi o da Cidadela no meu primeiro concerto, a 2 de Abril de 2011, do álbum ‘Geração do Semba’. Aí senti que as pessoas gostam do meu trabalho e gostam de me ver.


Que província o cativou mais?

O público de Malange é muito cativante, acolhedor e tem mais à vontade em apoiar os músicos. Gosto muito de Malange e não me importo de fazer três finais de semana lá. O público de Luanda é mais exigente, mas é melhor porque faz com que o artista trabalhe mais e quem ganha é sempre o artista.


É fácil ser famoso?

Não é. Porque fica todo o mundo atento aos teus passos, que roupa vestiu, calçado, com quem andas e até o que comes.


Já teve momentos frustrantes como músico?

Com certeza. Já aconteceu estar num ‘show’ e não fui bem recebido. Às vezes, planeia-se algo, mas acaba mesmo antes de começar, até já deu vontade de desistir. Mas devemos aprender a ultrapassar e lidar com todos os problemas.


Já vive da música?

Só vivo da música e pretendo fazer outros investimentos para garantir o futuro. A música em Angola é muito imprevisível.


Lida bem com o assédio?

Já foi mais complicado, hoje consigo lidar com este tipo de situação. Sei que existe e vai acontecer, como artista devo saber moldar e gerir de forma a não complicar ninguém.


Está a formar-se em que área?

Terminei Ciências Físicas e Biológicas no ensino médio. É engraçado porque o curso tem a ver com medicina e eu quis fazer jornalismo, mas pretendo fazer a faculdade em Gestão de Empresas ou Marketing, pois estes cursos podem facilitar-me quando tiver de abrir um negócio. Desde o ensino por base que tive paixão por câmaras, microfone, até mesmo de rádio. O meu irmão quis que eu fosse estudar na Namíbia, mas não cheguei a ir. Depois quis que fosse estudar Petróleo no Sumbe, mas fiquei em Luanda porque já começava a cantar kuduro.


As suas filhas gostam de cantar?

As minhas filhas não gostam nem de me acompanhar nos espectáculos e não vejo vestígios de música nas crianças.


Se tivesse de resolver um problema social, qual seria?

Acabar com a pobreza. Ainda existe um número muito grande de pessoas que sofrem no mundo. Começaria em acabar com a fome, dar abrigo e a gerar emprego.


Um homem que admira?

Paulo Flores por ser uma pessoa muito meiga, doce e tímida. Ele consegue cativar as pessoas, canta como se fosse de outra galáxia.

 

Fonte: Sapo Banda

Rádio Jet7 Angola

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