Entrevista com a cantora angolana «Pérola»

Entrevista com a cantora angolana «Pérola»Quem é a Pérola?

A Pérola é uma cantora, nascida no Huambo, vinda de uma família simples, conservadora, muito unida e alegre (risos). Considero-me uma pessoa despretensiosa, amiga dos meus amigos e sem preconceitos. Lido facilmente com as pessoas, de forma simpática, cordial e sempre na base do respeito.

 

Ser cantora e apresentadora, qual é a sensação?

A música vem do berço, era e é o meu grande sonho, foi algo que sempre procurei fazer, com muito amor, empenho e dedicação. Por isso, é um desafio que encaro com responsabilidade, mas com naturalidade. A apresentação foi uma oportunidade aliciante, que surgiu de um convite, para o qual não estava preparada na altura. O meu compromisso ao aceitar foi preparar-me, dedicando-me de corpo e alma ao programa e, foi isso que aconteceu. Hoje sinto-me feliz pelo resultado do trabalho que tenho feito.

 

Alguma vez já tinha pensado em fazer televisão?

Confesso que sim, mas quando era mais nova. Na época, o Carrossel despertava o interesse a qualquer criança, e aí, confesso que tive vontade e a pretensão em fazer parte do elenco do programa. O convite para o programa Viagens foi inesperado e na altura fazer televisão não estava, sinceramente, nos meus planos.


Fala-nos do programa que apresenta na TPA 2?

O Viagens é um programa que tem uma componente educativa e cultural, apresentado de forma descontraída. Ajuda-nos a conhecer um pouco mais de todo mundo e, em particular o nosso País. Conheci províncias e lugares de Angola que não conhecia, aprendi mais um pouco sobre a nossa cultura, a história, e também tive o prazer de ver de perto as pessoas de todas as faixas etárias que gostam do meu trabalho.

 

Revês os programas que apresentas?

É indispensável. Faz de certa forma parte do processo de aprendizagem. Confesso que no princípio era complicado porque não tinha muita confiança no que fazia, mas com o apoio da equipa que trabalhou comigo, fui corrigindo e tornando obrigatório a revisão de todo o trabalho. É um trabalho que requer empenho, mas é igualmente muito enriquecedor.


Acha que o facto de ser uma cantora de sucesso foi importante para ser chamada pelo canal 2?

Acredito que tenha sido um dos factores. Acho que as pessoas que já gostavam de mim como cantora, com certeza, teriam curiosidade em acompanhar o programa. Por outro lado, porque um artista deve trabalhar para ser um bom comunicador, pois interage constantemente com o público, presumo que a minha capacidade de comunicação tenha sido também considerado. Entendi o convite como o reconhecimento do meu trabalho.


Como é que a família e os amigos encaram este seu novo desafio?

Foi a minha família que me incentivou a aceitar o convite e deram-me todo o apoio necessário para que eu tivesse uma experiência única. Os meus familiares são nota 10 (risos). Os meus amigos também apoiam-me como sempre, e no caso desta experiência, acreditaram em mim e deram-me muita força.


Qual foi a tua maior falha durante as gravações ?

Com sinceridade não me recordo de nenhuma falha engraçada. Apenas recordo-me que tinha que repetir determinado texto várias vezes, por culpa de uma palavra ou outra, que não soava bem. Mas até isso faz parte do processo de aprendizagem.

 

Qual é a sua fonte de inspiração para tantos talentos?

Para começar, revejo-me muito nos meus pais. Eles são a minha maior fonte de inspiração. O meu Pai fez parte do um grupo musical no Huambo “Estrelas do Sul”, e a minha mãe cantou na igreja. No entanto, tudo que faço é com muita determinação, persistência e entrega. Gosto de desafios e assumo-os.


Sente-se realizada?

Ainda não (risos). Sou jovem e acredito que tenho muito mais para oferecer.


Qual o evento que marcou a sua carreira musical?

Bem, é uma pergunta um pouco complicada. Todos os eventos em que participo marcam a minha carreira e são sempre muito especiais para mim, por uma razão ou por outra. Todos contribuem para quem eu sou. Participo sempre com o mesmo entusiasmo, com o muito amor e entrega em todos eventos, mas devo enfatizar os em que fui premiada.


Existem muitas escolas de música em Angola, a Pérola tem acompanhamento de alguma escola ou professor cá em Angola?

Tenho o acompanhamento de um professor de canto. É fundamental e essencial para me manter em forma.

Acha importante haver uma escola de música em Angola?

Sim. A formação é muito importante em qualquer ramo. A música não pode ser uma excepção. Existem no mercado já muito bons profissionais. No entanto, é necessário continuar a apostar na formação e as escolas têm esse importante papel.


Que ídolo nacional ou internacional inspirou a tua carreira musical?

Quando era mais nova, ouvia muito Celine Dion, Fáfá de Belém, Whitney Houston, Mariah Carey…Agora oiço vários artistas tanto nacionais como internacionais. Cada um destes artistas inspira a minha música, a minha interpretação e a forma de estar em palco. Nunca ficamos indifrentes ao que os outros fazem


Fale-nos do Cara & Coroa. O que podemos esperar deste disco?

Cara & Coroa é o meu novo álbum com 13 faixas musicais, com várias influências e diversos estilos, onde poderão encontrar temas em RnB, Zouk e Kilapanga, este último cantado em língua “Umbumdo”. Este trabalho foi produzido entre Angola, Brasil, França e Portugal, pelo Heavy C, Ekuikui, Jerry Charbonnier, Wonder Boyz, Dmage e Cervantes.

Contém participações de Totó, Young D, Jerry Charbonnier e Heavy C. Tal como no meu primeiro trabalho discográfico “Os Meus Sentimentos”, este disco também inclui RnBs. Portanto não houve mudanças, mas sim um acréscimo de estilos.


Porquê este título?

Cara & Coroa foi a melhor forma que encontrei. Cara representa o Rnb, o que as pessoas habituaram-se a ouvir-me cantar e, Coroa, a parte que representa simbolicamente os “novos” estilos que entram.

Dedica o álbum ou alguma música especial a alguém?

Sim. O álbum dedico aos meus fãs e a todas aquelas pessoas que se identificam comigo e com o meu trabalho. Foi feito de coração para elas. Faço no entanto, uma dedicação muito especial numa das músicas à minha mãe, a quem devo tudo o que sou. Sem o apoio dela não teria chegado até aqui e esta música é uma pequena homenagem, e um muito obrigado a tudo o que ela representa para mim. Mãe te Amo! (Risos)


O que os seus fãs podem esperar deste seu trabalho?

Encontrarão com certeza uma Pérola mais madura, fruto da minha dedicação e preparação mais intensa em relação a música. Tenho aprendido muito e aproveito todas as oportunidades, seja na troca de experiências com outros artistas, nacionais ou internacionais, ou ainda, nos vários eventos em que participo para adicionar valor ao meu trabalho. Estou muito satisfeita com o resultado final e portanto, espero acima de tudo que eles se identifiquem com álbum.


Fale-nos da música Presta Atenção, há quem diga que a Pérola plagiou a música.Conte-nos o que aconteceu…

O instrumental “beat” da música Presta Atenção foi produzido pelo Jerry Charbonnier, detentor dos direitos intelectuais do mesmo, que já tinha usado esse mesmo instrumental num dos seus projectos anteriores, mas sem sucesso, e por isso decidiu revender. Eu ouvi o instrumental, gostei e paguei para o usar.

A partir desse instrumental foi feita a melodia e a letra por mim e pelo Heavy C, dando origem à música Presta Atenção, que felizmente tem tido a grande aceitação que se conhece. Ao utilizar no CD Picante 3 e no CD Cara & Coroa, identifiquei claramente o produtor do instrumental, o Jerry Charbonnier neste caso. Só isso é suficiente para esclarecer qualquer dúvida. A tentativa de se falar em plágio deixa-me triste e a pensar nas verdadeiras intenções de quem está por de trás deste assunto. O próprio Jerry Charbonnier ao saber deste caso ficou surpreso pela falta de esclarecimento de algumas pessoas.


Alguma vez foi difamada ?

Sim, senti isso no caso do instrumental do Presta Atenção. O facto de estarmos expostos não quer dizer necessariamente que estejamos preparados para ouvir acusações falsas e de má fé. Confesso que este assunto deixou-me no início triste, uma vez que na altura estava concentrada a trabalhar na conclusão do meu álbum, mas na verdade, não dei importância porque não tinha qualquer fundamento.


O prémio de música no Kora incentivou algo neste seu novo trabalho?

Incentivou com certeza e isso reflecte-se neste novo álbum. É uma responsabilidade muito grande ser até ao momento a única angolana a receber esta homenagem e, portanto, inspira-me a trabalhar mais.


Quem agenda os teus espectáculos? Depois do lançamento será que já existe uma agenda?

Os meus espectáculos e os eventos em que participo são agendados pelos meus agentes, Dilan Oliveira e a Deisy Valigy que tratam de toda a contratação. Tenho já alguns convites, que serão muito brevemente divulgados.

Existe algum site ou lugar onde os teus fãs possam falar contigo, verem o teu trabalho e saberem mais sobre ti?

Estou a preparar o meu website http://www.perola.info que será apresentado muito em breve. Mas para já os meus fãs podem consultar algumas informações minhas no meu myspace http://www.myspace.com/perolaaj e hi5 em http://perolana.hi5.com . São estes os meus contactos para quem quiser.


Sabemos que faz muitas participações. Para quando um grande espectáculo da Pérola, único, preparado apenas para si?

Cantar para mim é um sonho. Vivo para a música, portanto sonho igualmente com um grande espectáculo. Neste momento a minha prioridade é o lançamento do álbum, mas, assim que estiverem reunidas as condições para poder apresentar o meu trabalho ao público, farei com muito gosto.


E projectos para o futuro?

Para já vou dedicar-me, nos próximos tempos, à promoção do meu álbum. Gostaria de cantar por todo o país, mas também de apostar no mercado internacional. Vender no estrangeiro é o sonho de qualquer artista. Entretanto se surgirem outras oportunidades terei todo o gosto em analisar.


O coração da Pérola já tem dono?

O meu coração tem dono sim. O meu namorado é uma pessoa romântica, atenciosa e acima tudo muito minha amiga.


Ele apoia a tua carreira?

Ele é meu fã, gosta daquilo que faço e, consequentemente, apoia muito o meu trabalho, o que me torna muito feliz.

É ciumento?

Ele é sim e se não fosse eu ficaria triste.(risos) Eu também sou ciumenta. Contudo não exageramos


Família o que é para si?

É tudo para mim. Eles definem quem eu sou e de onde eu venho. Revejo-me muito na minha família, são o meu grande suporte. Aprendi e aprendo muito com eles, passam-me valores e princípios de vida muito importantes.


Entre discotecas e festas, por qual opta?

Prefiro uma boa festa. Gosto mais de ambientes familiares. Entendo que a família e os amigos são muito importantes.


Voltando a si, será que é uma boa dona de casa?

Não gosto de responder por mim a este tipo de questões, mas sem querer fugir à pergunta, acho que posso ser considerada, sim, uma boa dona de casa.


É religiosa ou supersticiosa?

Acredito em Deus e a minha fé nele é grande. Sou católica praticante e procuro a minha orientação nos ensinamentos do Senhor.


Sente-se famosa?

Famosa não, diria conhecida.


É fácil lidar com esta fama que já conquistou?

Bem, agrada-me o reconhecimento e os elogios que recebo. É muito gratificante e incentiva-me a continuar a fazer o meu trabalho. A parte complicada é a exposição, que logicamente, invade a minha privacidade. Tento fazer a separação do que é apenas privado com a minha vida profissional, e por isso sempre que achar que devo proteger algo sobre mim, assim o farei.

O nosso país está numa fase de reconstrução e mudança. Qual é o seu contributo?

Eu sou uma artista. Como tal o meu papel o meu contributo para a nação é divulgar através do meu trabalho, mensagens de amor, de esperança, de incentivo, a mudança de atitudes impróprias, de combate a preconceitos e a tabus na sociedade. Tento fazê-lo de uma forma simples, com mensagens que todos compreendam e que de uma forma ou de outra se identifiquem. Esse é o meu singelo contributo.


Ainda falando de mudanças, dentro do país, existe alguma coisa que gostaria que mudasse?

Espero que continue a evoluir como tem estado, que se torne uma sociedade ainda mais justa, mais equilibrada e, que se preste atenção aos que mais precisam. Por outro lado, que se resgatem e se preservem os nossos hábitos e costumes. Que se valorize mais a nossa cultura e a nossa arte. Que individualmente cada um contribua para o bem do nosso país, da nossa Angola.


Porque os músicos em Angola cantam muito em playback nos espectáculos? Qual será o problema — capacidade vocal, problema de som, ou falta de preparação?

Cantam porque os promotores dos eventos fazem os convites nesses moldes. O cantar ao vivo requer um nível de equipamento, que tem custos superiores e nem sempre os promotores optam por os considerar nos eventos. Naturalmente que a capacidade vocal ou a preparação individual depende de artista para artista, e pode também condicionar a actuação.

A artista refere-nos que neste seu último trabalho, Cara & Coroa, poderão encontrar uma Pérola mais madura, fruto da sua dedicação e de uma preparação mais intensa na música. “Tenho aprendido muito e aproveito todas as oportunidades”, diz.

Rádio Jet7 Angola

Vídeos Sugeridos

Procurar Vídeo