Pepetela lança romance "A Sul. O Sombreiro"

Benguela – O escritor angolano Artur Pestana "Pepetela" apresentou nesta quarta-feira, em Benguela, o seu novo livro de romance, intitulado "A Sul. O Sombreiro".
 

A obra fala sobre os primórdios do colonialismo, na qual o autor mostra uma época desconhecida da história de Angola nos séculos XVI e XVII.
 

Com trezentas e 60 páginas, o livro retrata a história de Manuel Cerveira Pereira, governador de Angola de 1615 a 1617, conduzindo o leitor a Angola dos séculos XVI e XVII, enquanto Portugal vivia sob domínio filipino.
 

A sessão de venda e assinatura de autógrafos contou com a presença do vice-governador provincial de Benguela para a área económica, Agostinho Felizardo, do director da Cultura, Mário Cristóvão “Kajibanga”, governantes, escritores, jornalistas, académicos, empresários, agentes culturais e políticos.
 

Falando à imprensa, Pepetela referiu que o livro aborda um período pouco conhecido da história de Angola, sobretudo a parte relativa à fundação da cidade de Benguela, que era “uma tentativa de uma nova colónia a Sul do Rio Kwanza, até à África do Sul e Moçambique”.
 

Ressaltou que a ideia desses promotores da fundação da cidade de Benguela, que conjecturavam a existência de cobre na região, tinha haver com a criação de uma colónia que viesse ocupar todo o Sul de África.
 

O autor disse que tal propósito acabou com o fracasso do conquistador português Manuel Cerveira Pereira, pois não conseguiu encontrar o cobre que sustentava a sua ideia de fundar a cidade de Benguela.
 

De acordo com Pepetela, o conquistador português aproveitou, entretanto, o facto de ter encontrado escravos em Benguela e fez muito comércio para o Brasil, frisando que mais tarde houve a anexação de Benguela à Colónia de Angola.
 

“Esse facto é pouco conhecido, daí que tenha escrito este romance, porque é sempre mais fácil para interessar aos leitores e dar a conhecer certos elementos”, explicou, manifestando-se satisfeito por poder lançar o livro em Benguela, sua terra natal.
 

Pepetela também admitiu propor nesta obra literária uma discussão sobre as razões fundamentais da criação da cidade de Benguela, além da identidade nacional.
 

Destacou que “Manuel Cerveira Pereira era um conquistador brutal, ambicioso e sanguinário, que aproveitava da sua posição de poder para fazer negócios de escravos, gozando de protecção do Rei de Espanha”.
 

“Por isso, todos os autores que escrevem sobre Manuel Cerveira Pereira são extremamente severos em relação a ele”, frisou, sublinhando que isso é histórico e verdadeiro.
 

O romance, publicado sob chancela da Textos Editores, tem como pano de fundo a fundação da cidade de Benguela, em 1617, com destaque para o trajecto de vida conturbado do português Manuel Cerveira Pereira e o papel da Igreja Católica na altura.


Fonte:
Angop

Rádio Jet7 Angola

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