Entrevista com o talentoso apresentador "Pedro N'Zagi"

Apresentador de televisão, actor, humorista, empresário, músico, pai... 
Tal como ele diz “uma panela de sopa com todos os ingredientes”. Conheça 
o outro lado do apresentador do programa mais quente da televisão angolana.

O rapaz que um dia trocou o futebol pela televisão. Este poderia ser o retrato do mais conhecido rosto da televisão em Angola. Aquele que entra todos os dias pela casa dentro e atira “beijos fofos e amassos”. Depois de um ano, já tem um rol de entrevistas realizadas no “Hora Quente” do canal 2. Agora, no papel inverso, não gosta de ser apanhado em falso.

Quem é o Pedro N’Zagi?

Uma pessoa com personalidade jurídica, com 31 anos de idade, nasceu na Catepa e trabalha em televisão. 
É um enigma (risos).


Como é que apareceu na televisão?

É uma consequência natural. Não foi nada planeado. A minha primeira curiosidade pela televisão surge com o Ernesto Bartolomeu, de o ver, todos os dias na televisão. A voz dele ainda hoje me deixa “embasbacado”. Mas começo por dizer que eu estive ligado, desde pequeno, a muita coisa. Saí de Angola aos 9 anos e fui viver para o Porto, nas Oficinas de São José, um colégio onde éramos obrigados a fazer um pouco de tudo — desde carpintaria, encadernação, tipografia, canto coral, música, tocar flauta, teatro, ir à igreja, todo o tipo de desporto, futebol, basquetebol, canoagem, pingue-pongue. Lá tínhamos que saber fazer tudo. Hoje a minha versatilidade vem daí.


Mas sempre esteve ligado 
ao mundo artístico?

Independentemente de ter algumas pessoas da minha família ligadas ao mundo artístico, como a Professora Rosa Roque, directora das Gingas, tenho os meus 
dois primos que são Djs. 
O meu pai era político, mas também cantava. A minha mãe sempre cantou, não profissionalmente, mas sempre viveu no mundo da música. Sempre tive essas várias influências, africanas e europeias. Fui sempre a panela onde a sopa era feita. E era uma sopa de tudo. Depois de ter perdido a minha timidez, porque eu era uma pessoa muito tímida, comecei por ser o líder do grupo dos meus amigos, o que mais falava, que mais brincava, que mais dava opiniões. Não impunha, mas fazia prevalecer o bom senso. Comecei a brincar, fazia misturas de música com comédia e, em 2000, quando regressei a Angola, encontrei alguns desses meus amigos ligados à música, desde o Ruca Van Dúnem, o Fançony, o Kizua Gourgel, o Eduardo Paim, o Beto de Almeida, o Maya Cool, o Warrent B, o Eddy Tussa. Tudo pessoas com quem tinha vivido e trabalhado em Portugal.


Ouvi dizer que a casa 
da sua irmã, em Portugal, 
era o ponto de encontro 
dos músicos angolanos...

A Patrícia N’Zagi, como era a mais velha e cozinhava, era a mamã de todos lá em Portugal. São raros os músicos que não passaram por casa da minha irmã, tais como o Maya Cool, Irmãos Almeida, Eduardo Paim, Nelo Paim, Yuri da Cunha, SSP. Convivíamos todos e criámos laços de amizade.


O que fez quando regressou 
a Angola em 2000?

Regressei a Angola licenciado em Engenharia de Informática e voltei a encontrar-me com o Kizua Gourgel. Juntámo-nos e começámos a tocar em bares, eu com o meu computador com músicas programadas, o Kizua com o seu violão e a voz. Aí eu metia sempre o meu lado mais humorista, gostava de satirizar certas situações, depois quando me fui inteirando do mundo cultural comecei com sátiras a algumas figuras públicas como o Afonso Quintas, o Sebem ou o Riquinho. Brincava muitas das vezes com essas pessoas quando estava a cantar. Cheguei a ter um grupo com o Kizua, era o Wanna Groove. Eu no teclado e voz, o Kizua na guitarra e voz, Vando Moreira no baixo e o Élio Cruz, na bateria. Tocámos durante três anos no Miami, depois separámo--nos e cada um seguiu a sua vida profissional. Trabalhei em várias empresas na área da informática, até que abri a minha, a Safe Lane para prestar serviços de administração e gestão de redes a pequenas empresas, mas nunca deixei de estar ligado à música.


Mas não foi só na música. Da música passou para o pequeno ecrã a representar...

Como as pessoas já me conheciam do Miami, chamaram-me para a televisão, para o programa “Conversas no Quintal”. Depois participei na telenovela “Sede de Viver”. Mas ainda antes de tudo isto fiz rádio. Comecei na rádio LAC, onde fazia um programa que era a “Bomba LAC”, um programa divertido, jovial, virado para a música, para o mundo cor-de-rosa de Angola. Depois aceitei o convite do Beto Max e trabalhei no “Sábado Mais”, na Rádio Luanda, com uma radionovela onde satirizei o mundo da música angolana.  


Como é que surgiu o convite para trabalhar no Canal 2?

Fui convidado pela rádio LAC para fazer a apresentação do espectáculo do Herman José.Estava lá a Tchizé dos Santos que gostou do meu trabalho e convidou-me a abraçar o projecto do Canal 2, da TPA.


Que balanço faz do primeiro ano do “Hora Quente”?

É um balanço positivo. As pessoas não sabem o esforço necessário para  fazer este programa todos os dias. A equipa é pequena e trabalha muito para pôr de pé o programa. Eu também tive que tomar algumas decisões, entre elas, deixar a minha empresa, a Safe Lane, para me dedicar mais ao programa. Em contrapartida, criei outra produtora de conteúdos para a televisão, a LS Humor Factory. Eu e o Eddy Tussa estamos os dois juntos nessa empresa e, em breve, vamos apresentar novos trabalhos.


O “Hora Quente” já é uma imagem de marca do canal?

No princípio, as pessoas associavam o “Hora Quente” ao programa do Jô Soares. Eu sempre disse que o Jô, apesar de o admirar muito, não era uma fonte de inspiração. Gosto do trabalho dele, mas sempre quis criar a minha identidade e acho que o consegui. Aos poucos as pessoas foram percebendo qual a minha forma de estar em televisão. Ainda assim recebi muitas críticas e fui alvo de várias incompreensões. Mesmo dentro da comunicação social, havia pessoas que achavam inaceitáveis algumas coisas que eu fazia, ou que ainda faço, como a minha forma de apresentar, a minha maneira vulgar de conversar — muitas vezes terra a terra —, a minha maneira espontânea de fazer as brincadeiras. A televisão em Angola sempre foi feita à volta de muitos tabus, muito conservadora.


Como é que lida com a fama?

Estou à vontade, mas é claro que o peso é cada vez maior.Ter privacidade está fora de hipótese para uma pessoa como eu. Mas as pessoas também não me pediram para ser famoso, para fazer um “Hora Quente”.


Quem é o teu maior crítico?
A minha mãe. A Senhora Dona Filomena Maria Viana de Barros, a Dona Mena.


O que é que ela costuma dizer?

Tudo o que preciso de ouvir.


Viajou recentemente até Catepa. Qual foi o sentimento?

Foi uma experiência única Não ia lá há 20 anos. Foi muito bom para mim sentir que esta minha “brincadeira” que faço na televisão tem repercussões. Senti-me muito lisonjeado, porque as pessoas reconhecem e agradecem o facto de falar sem problemas das minhas origens.


E para quem não sabe, também esteve quase a ser um Cristiano Ronaldo?

(Risos) Comecei por jogar como juvenil, no Boavista, em Portugal. Depois passei por outros clubes. Mas a coisa começou a ficar mais séria quando eu saí do Victória de Campanhã, do Porto, e fui para o Rio Mau Futebol Clube, um clube da distrital do Porto. Daí fui para o Gondomar onde pouco joguei, mas neste clube tinha um amigo holandês e ele sabia de uma comitiva de holandeses que ia ao Porto ver jovens a jogar e ele convenceu-
-os a verem um jogo meu. Não estava nos planos deles. Eles só iam ver os jovens do Porto, Braga, Boavista, Benfica e do Sporting. Eles gostaram muito e levaram-me para a Holanda. Fui jogar no FC Twente, mas estive lá muito pouco tempo, porque acabei por me lesionar num dos treinos e o sonho foi por água abaixo. Já andava a escolher casa e o carro, a minha mãe já estava mentalizada que ia ser futebolista. Depois da lesão, tinha que ficar parado dois anos pelo que acabei por desistir do futebol. Mas na família tenho um irmão que joga futebol no Chipre.


Tem quantos irmãos?

A Patrícia N’Zagi, um ano e meio mais velha do que eu. Depois vem o Fredy que já jogou na selecção e hoje está no Chipre. Depois vem o Maxíminio Roque dos Santos. Em Portugal, tenho o Nélson, em Hotelaria, e o Buíla.


Já tem descendentes?

Sou um pai babado de três filhos. Desde sempre amei crianças e os meus filhos sabem disso. Só sinto pena 
de não os ter todos ao meu lado, mas é para o bem deles. A Luana Filipe e o Pedro Miguel estão em Lisboa e a Ana Rita está aqui em Luanda.


Ouvi dizer que já está 
de casamento marcado?

É verdade, vou casar este ano. Encontrei a mulher da minha vida. Nós namorámos durante muito tempo. Foi um namoro atribulado. Não em termos de sentimento, porque esse, estava lá, mas sobre aquilo que queríamos para o futuro. Agora entendemo-nos e decidimos que estava na hora.


Um homem romântico?

Bastante! Às vezes não pareço, mas acho que ser romântico está na espontaneidade.


O que o faz descontrair?

Música, ver filmes e séries de televisão. Neste momento estou absorvido com a última temporada de “24 Horas” e com a série “Prison Break”.


Homem da noite ou do dia?

Nunca escondi que sou um homem da noite. Sou um boémio, no bom sentido da palavra. Gosto, amo a noite. Acho que tem mais coisas positivas do que negativas. Raramente consigo dormir cedo, só que eu durmo muito. Esse é um grave problema desde criança. Mas acho que 
a noite é encantadora. Tem 
um charme que pouca gente tem a oportunidade de ver.


O que é que o faz levantar-se da cama?

Água, pode cair tudo à minha volta, podem estar os Rolling Stones a tocar ao meu lado. Se estiver num bom sono só acordo com água, mas aí também vão ver o “Diabo 
a assar sardinhas”.

 

Hora Quente

É o programa líder de audiências da Televisão Pública de Angola. Um programa diário e directo dividido em três blocos onde são entrevistados individualidades de diversas áreas desde, a cultura, artes, política, sociedade ou artistas ligados à música. Uma hora que todos os dias aquece o serão, entre as 21 e as 22 horas. Por aqui já passaram vários nomes como Mantorras, Eusébio, músicos internacionais e grandes estrelas da música angolana como Paulo Flores, Eduardo Paim ou Yola Semedo entre outros, presidentes de clubes de futebol a políticos e ministros. Uma janela aberta que mostra Angola e o mundo que visita o país.

 

LS Humor Factory

Fundada por Pedro Nzagi e Eddy Tussa, esta empresa surge com a necessidade de desenvolver conteúdos para televisão, na sua maioria virados para a comédia. A LS Humor Factory tenta concentrar os melhores humoristas angolanos e está sempre à procura de novos talentos. A firma está já a criar novos programas e a desenvolver guiões e argumentos para séries e filmes, onde a comédia será o principal ingrediente.


Perfil

Data de Nascimento
: 30 de Julho 1977

Naturalidade
: Catepa, Malange

Juventude
: No Porto

Discoteca: 
Twins no Porto; Chiuaua 
(hoje W), em Luanda

Prato preferido
: Feijoada

Virtude
: Paciente, nunca sei dizer não

Defeito
: Teimosia

Músico Preferido
: Michael Buble; Kizua Gourgel

Apresentador de Tv preferido: 
Ernesto Bartolomeu

Praia ou campo? 
Campo

 

Fonte: Jornal O País

Rádio Jet7 Angola

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