O percurso musical do cantor angolano «Fly»

Flay, longe do sucesso comercial gratuito, tem construído a carreira a apostar na qualidade da obra, investindo no poder da sua portentosa voz e revalorizando as tradições da Catumbela.

 

Neste percurso vai  desconstruindo, esperançado, a infalibilidade das certezas absolutas. Quando em 1990 decidiu enfrentar o impenetrável meio musical luandense trazia consigo a crença inabalável da sua música e a vantagem de ter absorvido a moral e os costumes culturais endógenos da  Catumbela, onde nasceu em  8 de Maio de 1972.


Em Luanda, conheceu João de Assunção, já falecido, Nelo Paim, Chiley, Maya Cool, os irmãos Beto e Moniz de Almeida, Chico Madne, Don Kikas e Lanterna, cantores, compositores e instrumentistas que o ajudaram a dar os primeiros passos na carreira.


Flay, filho de António Lopes da Silva e de Avelina Afonso Máquina, de nome verdadeiro Joaquim Lopes da Silva Neto, começou a interessar-se pela música aos 8 anos influenciado pela forma como Carlos Burity e Artur Adriano cantavam e pelos “Impactos 4”, grupo infantil da família Semedo de Benguela, e motivado por colegas de escola, começou a escrever os primeiros versos  em 1985.


Posteriormente conheceu o guitarrista Estevão, com quem desenvolveu, por observação, os primeiros acordes de violão.  Nessa altura venceu o concurso “Tarde de Domingo”, realizado nos Merengues Futebol Club da Catumbela, acompanhado pelo grupo “Os Kilambas”.


Em 1988 conheceu o guitarrista Zacarias, já falecido, do agrupamento musical “Os Vinte e Nove de Benguela” e surgiu em palco a interpretar a música “Catumbela”, tema de sua autoria, na abertura da primeira edição das Festas da Vila da Catumbela.



Luanda

Depois de várias tentativas, decidiu em 1996 fixar residência em Luanda, onde gravou, com Chico Madne e Mias Galheta, o tema“Sassa Mutema”, incluido no projecto em CD “Bibiri”, editado pela Nova África, com Isidora Campos, Irmãos Almeida, Gabriel Tchiema, e N’sex love.


 “Sassa Mutema” foi determinante para o êxito, projecção nacional e solidificação da carreira de Flay que em 1997  fez parte do projecto “Pomba Branca”, 40 vozes da velha e nova geração que cantaram a paz, participou na música em homenagem ao comandante Simione Mucune, concorreu com o “Trio Tweya” ao festival da canção da RNA, com Mister Kim e Paulinho Tchicangala, e colaborou em discos de Eduardo Paim, Nelo Paim, Turbo de Almeida, Gabriel Tchiema, Nila Borja, Mister Kim, Dog Murras, Banda Maravilha, Tchissica Artz, Clara Monteiro, Presilha, Karina Santos, Zulmira, e Armando Kim.



Bandas

Com ajuda de Jerry Rocha, em 1993 integrou como vocalista a Banda KS, orientada por Viriato Santos Pinto, Tchombé e Alberto Ngongo, passando depois  a fazer parceria com o falecido João Vieira , o pretigiado vocalista do conjunto “Os Bongos”, de Botto Trindade.


Com a Banda KS deslocou-se em 1995 a Luanda para um espetáculo dedicado à comunidade benguelense, realizado pela associação “Acácias Rubras”. No regresso a Benguela reencontrou o amigo Nelo Paim, instrumentista e produtor musical, que o convidou a  gravar na Rádio Nacional de Angola as canções  “Leilão” e “Garina”.



Discografia

Flay lançou em 1998, na Catumbela, “Com Doçura”, o seu primeiro disco, que tem produção de Eduardo Paim. A cerimónia teve a participação de Dog Murras, Banda Zimbo e Jerry Rocha. No mesmo ano surgiu associado ao projecto “Somos de Ti, Natureza”, colectânea de vários artistas em defesa do ambiente, produzido pelo Ministério das Pescas e do Ambiente, com o tema “Renascer Verde”.  “Catumbela meu Berço”, o segundo álbum, foi posto à venda em 2001 e o terceiro, “Lições da Vida”, em 2004. Em  Dezembro de 2007 gravou o CD “Desabafo”,  o seu quarto álbum.


Flay autografou o quinto CD, “Sempre firme”, em 31 de Março de 2012, na Praça da Independência, e deslocou-se a Portugal, em Dezembro  para a produção do CD-DVD “Flay 20 Anos”, comemorativo dos 20 anos de carreira, com 29 canções reeditadas e um documentário biográfico com depoimentos de amigos e colegas de profissão.



Digressões

Flay actuou pela primeira vez no estrangeiro como vocalista principal na Banda FESA em Havana, no Festival de Raízes Africanas “Wemiller”. Posteriormente cantou na Namíbia, Brasil, Moçambique, Cabo-Verde, no Festival Baía das Gatas e nos Estados Unidos.Em 2003 cantou no Festval do Côra, África do Sul. No mesmo amo, actuou na Festa da Independência Nacional.


O cantor e compositor participou em oito edições do Festi-Sumbe, na primeira edição do “Festidez” no Huambo e no  Festival Benguela. Interpretou parte de uma rapsódia  numa das edições do Festival da LAC, Luanda Antena Comercial. Actualmente, faz parte da “Banda 21 de Janeiro”, da Força Aérea Nacional, como vocalista e director adjunto. É membro fundador e principal mentor da Banda Voga, com Simão Kitoko (percussão), Miguel  Livongue (teclas e voz), Francisco Kamalengue (guitarra ritmo e solo), Augusto Doran (viola baixo), Tomás Sankara (ritmo solo), Sabino Kanupi (bateria), Leonel Braga (teclas) e Elsa Pedro (coros).

 

Fonte: Jornal de Angola

 

Rádio Jet7 Angola

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