Música angolana de luto com morte de Zecax

Fotos: 1/2Depois do anúncio das mortes, curiosamente num mesmo dia, do fundador da “Xicola ya Semba”, Mário Clington, do Nito Nunes e do jovem intérprete, Chissica Artz, artistas de gerações diferentes e figuras referenciais da Música Popular, morreu ontem o cantor e compositor Zecax, uma das vozes mais prestigiadas e representativas da história dos Jovens do Prenda.


A forma como Zecax se movimentava em palco fazia lembrar os artifícios dos grandes nomes do carnaval luandense, sobretudo as figuras que se notabilizaram na “Kazucuta”, estilo de dança do “Kabocomeu”, o histórico grupo de carnaval do Bairro Sambizanga.


Porta-voz da sociologia cultural dos musseques, Zecax cantava as contradições e alegrias do seu meio, enformando uma personalidade artística, tipicamente luandense, facilmente identificável no conteúdo textual das suas canções. O cantor distinguiu-se em palco pela forma muito peculiar de interpretar as suas canções, aliada ao impressionante impacto da dança, caracterizada por passos coreográficos artisticamente calculados.


Numa altura em que a colonização portuguesa dava os derradeiros suspiros, Zecax compôs, com apenas 15 anos, uma canção que lembrava o luto deixado pela violência da presença colonial e denunciava a deportação dos seus amigos mais próximos no campo de concentração de São Nicolau. Esta atitude, considerada ousada na época, determinou a primeira fase da carreira do compositor e a sua entrada, precoce, no universo simbólico e interventivo da canção política.


Filho de José António Janota Júnior e de Luzia Bento Anita, José António Janota nasceu em Luanda, no Bairro Marçal, no dia 2 de Junho de 1959 e assistiu aos melhores momentos dos grupos de carnaval do seu Bairro. Zecax, escolhido por uma criteriosa selecção, entre os amigos do seu bairro, integrou em 1970, como cantor, o agrupamento infantil “Mini-Bossa 70”.


O conjunto “Mini- Bossa 70”, formação apadrinhada pelo empresário Pedro Franco, embora fosse constituída por músicos muito jovens, teve a oportunidade de se apresentar no Clube Maxinde, Bom Jesus, Desportivo União de São Paulo, Ginásio e Centro Social de São Paulo, importantes espaços de recreação e entretenimento cultural da cidade de Luanda.


A aprendizagem e solidez criativa, adquirida no interior do “Mini-Bossa 70”, levaram-no a integrar, três anos depois, o agrupamento “Surpresa 73”. Estávamos numa época de intensa rebeldia e contestação estudantil e o produtor e técnico de gravação, Jofre Neto, solicita ao Zecax uma canção de teor revolucionário. É assim que surge o tema “Colono”, uma canção que ficou famosa e que marcou a introdução de Zecax no universo da canção revolucionária: Tundé nga giba pangue jetu/ Angola tua xala ni luto ué/ kamba diami Meirim/ ua um tumissa kuá São Nicolau/ kamba diami Inocêncio éé/ Colono ué, uá mujiba/ kamba diami, São Pedro/ colono ué uá mujiba/ Colono palanhi ku tu jiba/ mukonda dia ngola ietu ué…, cantava Zecax.


Fonte: Jornal de Angola

Rádio Jet7 Angola

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