Mister K : «Hoje em dia estou diferente, sou pai e chefe de família»

 

Depois de ter saído dos Kalibrados, Mister K aparece como um artista novo ao interpretar vários estilos, entre eles Kuduro, Kizomba e Semba. "Hoje em dia estou diferente, sou pai e chefe de família".
 
Mister K mostrou no Beatbox que hoje pensa de modo diferente. Começou por falar da mudança radical que fez na contextualização das suas músicas. "Antigamente era mais rude, sombrio e retratava a realidade do condomínio de alta segurança.

Sendo rapper era preciso ter essas características nas letras", explica.Vendo-se como pai e chefe de família conta que tem "responsabilidades que me obrigam a ter cuidado com certas coisas. Hoje temos um homem melhor na música, não obstante o rap continuar a ser a minha pátria, deu-me outra perspectiva de vida".

"Estou no rap, mas como qualificador, porque trabalho com outros artistas, faço direcção artística e já tenho dois artistas que fazem rap prontos a sair pela minha editora.", acrescenta. "Eu prefiro estar mesmo nesta linha como qualificador, faço rap uma vez ou outra. Disponibilizo as faixas na internet, e a prova é a mixtape que irei lançar em breve para o movimento."

K é responsável pela editora "Bons Ventos", que lança novos talentos para o mercado. Sobre a nova geração de músicos no rap, explica como vê a forma deles de trabalhar. "O que eu tenho a dizer sobre a nova geração, é que muitos rimam muito bem mas poucos fazem rap."

O músico acrescenta que "existem boas tendências, tem muita gente a fazer sucesso, mas é preciso ter mais atenção com aquilo que se vai dizer.", alerta.

"Há rappers a pensar que a violência nas palavras está na ofensa, e isso não tem nada a ver", desabafa. "Nós como artistas somos educadores sociais, um rapper sabe criar momento bons, não é só revolução, há músicas que cantamos para as mulheres e quando estamos inconformados com algo também rimamos para expressar os nossos sentimentos.", completa.

"Sinto que isto não está acontecer com frequência, entretanto devo dar graças a Deus por até agora existirem pessoas que têm estado a desenvolver da melhor forma o movimento Hip Hop", salienta. "Agradecia que os outros tivessem mesmo atenção nas temáticas e parassem de confundir as coisas, uns cantam num instrumental de afro dance e dizem que é rap e ainda criticam os outros que mudaram de estilo. É preciso estar informado e centralizado naquilo que se está a fazer."

Depois de sair dos Kalibrados, Mister K falou sobre a ausência dos grandes espectáculos realizado pelas grandes editoras. "Nós temos de lutar contra a descentralização do poder.", refere. "As pessoas esquecem-se que além de artistas nós temos cabeça. Não somos burros e ninguém vai andar sempre atrás destes promotores e chefes de grandes editoras porque nós temos qualidade e a prova disso é a aderência que temos nos nossos micro e macro eventos."

Mister K aproveitou a ocasião para reclamar as injustiças que se têm passado no seio musical angolano afirmando que mesmo assim não irá deixar de trabalhar arduamente.

"No momento tenho o meu maxi-single e ainda não sinto a necessidade de tirar o álbum. Na primeira edição fiz duas mil cópias e já acabaram", partilha.  "Vou partir agora para a segunda edição, pois as cópias acabaram e nem fui ao parque da independência, isto é porque as pessoas gostam da minha música, e sem exagero, eu num mês faço mais de dez eventos."  

"A música neste momento faz parte de uma fase da minha vida.", refere. "Deixou de ser "a minha vida" porque vivemos num país onde os artistas são injustiçados."

Apesar de não ser convidado para os grandes eventos, o músico afirma que tem estado a fazer espectáculos. "Tenho o pessoal que compra os Cd's a comparecer, por isso, vamos continuar a trabalhar".

Para Mister K as portas nunca estiveram fechadas. "Ainda me vêm como o Mr K dos Kalibrados, eu é que mudei a minha metodologia de trabalho e acho que as pessoas devem aceitar-me assim do jeito que sou."

Mister K está a preparar o seu novo CD que será lançado no próximo ano. De momento, prepara o seu grande espectáculo ao vivo com voz e violão.

 

Fonte: Sapo Banda

Rádio Jet7 Angola

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