Maya Cool: «Gostamos de criar falsos heróis»

 

O cantor, que começou a cantar no ‘Kaluanda Pió’, justifica por que está ausente dos palcos angolanos. Prepara-se para lançar o seu ‘best of ’, uma colectânea com 14 músicas, com a colaboração de Puto Português. Com 25 anos de carreira, sentese com autoridade para criticar muitas músicas que se fazem actualmente. Confessase um “amante” das mulheres, mas rejeita o rótulo de ‘mulherengo’.

 

Por que é que se encontra ausente dos palcos?

 

Tenho vindo a fazer palcos, mas de uma forma muito reduzida. Decidi dedicar-me à formação, que tem ocupado muito do meu tempo. Mas tenho feito alguns espectáculos, sobretudo fora de Angola, como em Moçambique, Cabo- Verde e Portugal.

 

Em que área está a formarse?

 

Estou a formar-me em relações internacionais. Sempre gostei de política, é uma coisa que sempre admirei. Quando era criança dizia sempre que se não fosse músico seria piloto. Tenho dito muitas vezes que “também sei construir e que também sei lutar a cantar”. Nas minhas músicas, de uma certa forma, fazia política porque era através da música que transmitia o que pensava.

 

Como vê a música angolana actualmente?

 

A música angolana tem vindo a crescer consideravelmente, mas infelizmente regista-se a formação de umas certas elites musicais. Na música não deve haver uma elite. A abertura deve ser o lema e não se devem criar grupinhos para certos tipos de actividades culturais. Mas acredito que em termos de qualidade e expansão a música angolana está no bom caminho.

 

A música angolana já está internacionalizada?

 

Sim, mas podia estar melhor. Já somos conhecidos e falados além-fronteiras. Exemplo disso é o kuduro, o semba e a kizomba, estilos que já tocam internacionalmente. Portanto é uma mais-valia porque o que toca é a nossa música.

 

Como vê a música feita pela nova geração?

 

Avalio pela positiva, embora haja aquelas situações de ‘música plástica’ em que o consumo é imediato. Infelizmente temos muito disso no nosso mercado. Gostamos de enaltecer o imediatismo, gostamos de criar falsos heróis, mas existem aqueles grandes cantores que fazem música com arte e coração. A nova geração tem vindo com outra dinâmica e aprendemos com ela. É bom que haja essa troca de experiências entre a velha e a nova geração.

 

Que músicos da nova geração considera grandes cantores?

 

Kueno Aionda, Paulo Matomina, Edmásia.

 

Teve problemas com o Riquinho. Como anda a vossa relação actualmente?

 

O Riquinho é um dos meus melhores amigos. O que passou fez com que olhássemos um para o outro noutra perspectiva. Para mim, o Riquinho é uma das pessoas que às vezes mesmo sem recursos fez– e muito faz – pela cultura angolana.

 

Já se sentiu o melhor cantor angolano?

 

Claro. Já ganhei o top dos mais queridos em 2008, naturalmente senti-me um dos melhores intérpretes da música angolana.

 

A música dá-lhe muito dinheiro?

 

Algum. Se disser que não, Deus até me castiga. Tudo o que tenho é obtido com o dinheiro da música. Posso não estar a fazer ‘shows’, mas faço produções musicais e naturalmente ganho a vida fazendo música. Fazer música não é só estar em palco, é também estar metido em estúdio, a produzir. Se fazes música com responsabilidade, e se fazes sucesso, com certeza que ganhas dinheiro, e muito dinheiro. 

 

Em 25 anos de carreira, qual foi o momento mais marcante?

 

Teria de me sentar para analisar. Mas um dos momentos únicos da minha vida foi cantar para 40 mil pessoas no Estádio da Machava, em Moçambique.

 

Dizem que é ‘achado’. Concorda?

 

Não sei. Tenho uma postura e uma personalidade próprias. Lido com todo o tipo de pessoas porque não nasci em ‘berço de ouro’. Mesmo que assim fosse, já tive várias experiências que me mostraram que os seres humanos não se medem aos palmos, que devemos respeitar o próximo. Sou uma pessoa que não gosta de abusos, não gosto que as pessoas passem o limite, porque a tua liberdade começa onde termina a minha. Sou uma pessoa que transpira na pele o que sente, não represento, sou extrovertido, desinibido e falo as coisas quando têm de ser ditas, infelizmente muitas pessoas não gostam de ouvir a verdade.

 

Como vê a juventude angolana?

 

A nossa juventude está um pouco deturpada. É necessário haver um acompanhamento porque vamos ter problemas no futuro.

 

O que tem feito para ser visto como um exemplo pela juventude?

 

O facto de estar na escola a formar-me, apesar de ter 38 anos, é um grande exemplo para a juventude.

 

É mulherengo?

 

Gosto de mulheres. A mulher para mim é a coisa mais linda que Deus meteu na terra. Estou rodeado de mulheres. Admiro a beleza feminina. Quando vejo uma rapariga linda a passar, elogio. Mas não sou mulherengo.

 

Sente-se famoso?

 

Sou famoso.

 

Fonte: Nova Gazeta

Rádio Jet7 Angola

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