Mawete Paciência: «O cinema em Angola ainda é pouco sério»

 O realizador Mawete Paciência considerou positiva a sua participação, em Outubro do ano passado, na primeira edição do Amaka Festival, na Zâmbia, por ser a primeira vez que participou num festival em África. Mawete Paciência assegurou que o ano passado trocou experiências com os profissionais de vários países como Cuba, Zâmbia, Espanha, Argentina e Brasil e viu a sua mais recente produção cinematográfica “Rastos de Sangue” abrir o Festival de Cinema de Luanda (FIC-Luanda). “O cinema sem dinheiro não é cinema por isso em Angola o cinema é pouco sério”, disse.
 
Jornal de Angola - Que balanço faz do seu trabalho como realizador?

Mawete Paciência -
O balanço é positivo. Consegui apresentar no ano passado mais uma obra ao mercado angolano, que é um mercado muito complicado. Além de produzir um filme realizei vários trabalhos no campo do audiovisual, como vídeo clips e vídeos comerciais, troca de experiências com profissionais de países como do Brasil, Zâmbia, Espanha, Argentina, Cuba e África do Sul. O ano de 2012 foi muito positivo.

JA - Como foi a sua participação do Festival da Zâmbia?
        
MP - O Amaka Festival foi a minha primeira saída para festivais africanos. Foi positivo por ser a primeira vez. As experiências ficam e aprendi em todas as vertentes tanto com os angolanos que estiveram no festival, como com o pessoal da produção do festival. As experiências ficam e hoje temos fortalecido muitos contactos e parecerias com grupos zambianos, isso vale muito para mim.

JA - O seu filme “Rasto de Sangue” foi estreado no FIC Luanda. Qual foi a aceitação do público?

MP - Eu sou um pouco suspeito para falar disso, porque até agora tanto em Angola como fora do país a aceitação tem sido positiva. Ouvimos as opiniões de algumas pessoas entendidas na matéria e tem valido a pena. Até ao momento o saldo é positivo, nós fizemos a nossa parte e agora deixamos para o público o julgamento. Estamos abertos às criticas e sugestões, o que não podemos melhorar nesta obra cinematográfica vamos melhorar nos projectos que temos em carteira para este ano.

JA - Como vê o cinema que se faz hoje em Angola?


MP - O cinema sem dinheiro não é cinema, aliais em Angola não estamos ainda a fazer cinema, estamos a tentar. Para fazer cinema é preciso muito dinheiro e formação.

JA - O que falta ao cinema angolano para conquistar os mercados?

MP – O cinema requer investimento, nós não temos distribuidoras, o país não produz filmes. Num país em que são lançados menos de três filmes por ano estamos longe de conquistar o mercado nacional e internacional. Angola precisa de fazer revolução cinematográfica com pelo menos dez filmes bons e de qualidade por ano.

JA - O FIC Luanda é o barómetro do cinema angolano?

MP - Acho que sim, mas sem a produção o barómetro continua estagnado.

JA - Tem recebido apoios?

MP - Recebo o apoio de todos os angolanos.

JA - Que projectoscinematográficos tem em carteira?


MP -
Em carteira tenho este ano os filmes “A Vítima” e “O Outro lado da Vida”. Realizo um e o outro faço apenas a produção executiva. O filme “Rastos de Sangue” tem a sua estreia oficial agendada para o dia 14 de Fevereiro.

JA - Quem é Mawete Paciência?

MP -
Sou mais um daqueles jovens que percorreu longas distâncias em busca de condições de vida nesta cidade de Luanda. As circunstâncias da vida obrigaram-me a aprender quase tudo à minha volta. Sou técnico electrónico, electricista e alfaiate. Este último ofício aprendi-o com a minha mãe. Também fui DJ durante nove anos. Já fiz muitos cursos. Hoje sou editor de vídeo, operador de câmara, sonoplasta, editor de som, realizador, produtor, argumentista e criador de “folder” som.

 

Fonte: Jornal de Angola

Rádio Jet7 Angola

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