Matias Damásio: «Lavei carros e engraxei sapatos para viver»

Matias Damásio, o menino do bairro da ‘Lixeira’ de Benguela, chegou a Luanda em 1993 fugido da guerra. Agora parceiro do Banco Privado Atlântico (BPA), o músico considera-se realizado e realizador de sonhos. Acredita que a música angolana pode ir muito longe, prometendo tudo fazer para ela ser ouvida em todos os cantos do mundo.


Quem é Matias Damásio?


Sou gestor da empresa Arca Velha de Entretenimento, ligada à produção musical, que lançou recentemente as Afrikkanas e outros músicos. Sou também gestor de uma empresa de tijolos, músico, esposo e bom pai.

 

Já alguma vez tentou conquistar alguém que estivesse a trabalhar consigo?


Não é o meu caso, acho que o profissional é profissional em qualquer altura. Quando se estabelece contrato é tudo com muita responsabilidade, até porque não sou eu quem trata desses assuntos. Mas tenho a certeza de que se tem cumprido com o acordo, que no fundo é ter parcerias profissionais e não pessoais.

 

É muitas vezes assediado?


Nunca fui assediado nesta área, mas na minha vida particular já aconteceu.

 

Qual é a sua posição caso aconteça?


Confundo sempre assédio com o carinho que as pessoas têm por mim. Isso confunde-se um pouco e acabo por levar de forma natural. Acho que as pessoas se identificam com a música, gostam e às vezes empolgam-se de mais, mas acho que é natural.

 

Fez formação em música?


Não sou formado em música. Aprendi a tocar na rua.

 

Qual é a sua formação académica?


Sou técnico médio de ciências da educação. Fiz o primeiro ano no Instituto de Ciências da Educação (ISCED), mas tive de parar por causa da música. Contudo pretendo dar continuidade à minha formação. É um dos meus grandes objectivos.

 

Gosta de dar aulas?


Dei aulas durante algum tempo, mas pretendo regressar à profissão, por ser algo de que sempre gostei.

 

Quais as maiores dificuldades por que passou e que acha que os novos artistas enfrentam?


Falta de oportunidades, poucos programas de descoberta de novos valores, escolas de música e apoios. Mas tudo na vida é feito com sacrifícios e com muita luta. Tive de lutar para alcançar os meus objectivos. Fui persistente em todos os momentos.

 

Em que circunstâncias chegou a Luanda?


Em 1993 devido à guerra, na companhia da minha mãe e quatro irmãos, cheguei a Luanda. Primeiro vivi no bairro Morro Bento, depois fui viver com amigos no bairro da Samba. Logo depois fui para a Maianga onde vivi com os colegas de carreira NicolAnanás e Paulo Mancini.

 

Passou dificuldades?


Nessa altura andei pelas ruas a lavar carros e a engraxar os sapatos dos passageiros como meio de subsistência.

 

Quando é que surgiu a parceria com o Banco Privado Atlântico?


Surgiu há cerca de seis meses. Este é o primeiro grande projecto, facilitar a comunicação entre o banco e as pessoas, levar o banco a participar na vida social.

 

Que projectos têm?


O primeiro grande projecto foi o show na Baía de Luanda. O banco quer proporcionar às pessoas um festival desta dimensão todos os anos. Além da música, também vamos tocar no lado social, vamos apoiar as crianças desfavorecidas e dar cara pelo BPA.

Perfil

Nome: Matias Domingos Damásio
Natural: Benguela
Estado civil: casado
Filhos: 3
O dia-a-dia: Leio jornal, brinco com os meus filhos, jogo PlayStation, componho música, vou ao estúdio, gosto de ver televisão e sempre que tenho tempo saio
com a família para jantar fora
Prato preferido: Feijoada com arroz
Desporto: Futebol
Dança: Kizomba
Música: Soul music
Perfume: Black XS
Traje: Ténis, jeans e t-shirt
Dotes domésticos: Sei engomar, lavo e cozinho pratos básicos, cuidava dos meus irmãozinhos quando era mais jovem
Cantor angolano de referência: Filipe Mukenga
Cantor angolano da nova geração: Konde
Cantor Internacional: Michael Jackson

 

Fonte: NovaGazeta

Rádio Jet7 Angola

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