Madruga Yoyo: «O sucesso depende do comportamento»

 

O músico Madruga Yoyo está a trabalhar num novo álbum e já tem gravadas as músicas promocionais. ‘Do cotovelo’, ‘Cota João fofoqueiro’ e ‘Muzongue do Marçal’ são as novidades, com canções em kuduro e kizomba. Enquanto promove o disco, não poupa críticas a quem tenta ser famoso à força.

 

Madruga Yoyo considera o kuduro como um estilo “normal” e de “fácil adaptação” e um tipo de música que mais facilmente "arrasta multidões" apesar do calão dos ‘bifes’. Mesmo sendo um estilo “fácil”. Garante que também perde muito tempo a pensar na letra: "a diferença é que é mais rápido de enquadrar num bit". "Existem coisas no kuduro que vêm por acaso, que nos outros estilos é difícil de acontecer", resume.

 

Madruga Yoyo não gosta de se sentir famoso, mas apenas "conhecido pela população". Para ele, a fama de um cantor não depende a cem por cento da comunicação social porque há situações em que ela "não toca a música", porque "muitas vezes é necessário pagar".

 

Mas, mesmo assim, "o povo faz tocar e bater", porque a população é que torna o cantor conhecido e os órgãos de informação "fazem-nos famosos" a partir do momento em que usam a imagem para propaganda e publicidade.

 

Pedro Samuel da Costa, ou simplesmente Madruga Yoyo, desde que começou a cantar kuduro, considera estar numa "escola", porque o estilo é o mais mediático e que precisa sempre de "inovação". As pessoas "discriminam", mas "cresce-se muito". Nas suas músicas, garante não ser intervencionista de temas que preocupam a sociedade, como a luta contra as drogas, violência, delinquência e prostituição, mas antes um animador que canta "aquilo que o povo usa, gosta e quer ouvir" como ‘Cabotcho-botcho’ que significa ‘fofoqueiro, traiçoeiro e pessoa má’.

 

O nome Madruga surgiu por gostar de festas desde muito cedo e por pernoitar. Já o Yoyo aconteceu no momento em foi gravada a música ‘fala yoyo’ do Puto Lilas. A maneira como dançava "bem" fez com que as pessoas unissem Madruga ao Yoyo e assim foi criado o nome artístico que o tornou conhecido.

 

Ser famoso, para ele, "não é exibir bens" a todo o custo para que as pessoas pensem que "podes e tens". Madruga Yoyo aconselha as pessoas a "não confundir as celebridades de fora com as de Angola", porque o rendimento não é o mesmo. Crítico pela forma como algumas pessoas encaram a fama, entende que “deixar de se relacionar com os mais próximos porque pertence a outra classe social não é ser famoso, mas outra coisa: "ignorância".

 

E lembra que existem famosos que no primeiro álbum vendem muito bem, mas no segundo ‘batem na rocha’, devido ao mau comportamento que, para ele, conta muito no sucesso. O cantor tem a certeza de que há, por Angola, muitos famosos que, para exibirem o que "não têm", preferem gastar até ao último centavo só para aparecer bem na noite e serem "bem falados", capazes de irem a um ‘rent-a-car ’ só para alugar um carro e "aparecer".

 

Mas entende que os artistas devem vender uma imagem positiva em todo e qualquer momento, por terem seguidores, muitas vezes crianças e pré adolescentes, mas também não se inibe de lembrar que o "artista é um ser humano imperfeito e que também tem necessidades e comete erros".    


Madruga Yoyo está convencido de que, em Angola, são "poucos os cantores com grandes seguidores", lembrando que são raras as vezes em que um músico realiza um ‘show’ sozinho, precisando, quase sempre, de ser acompanhado por outros cantores. Por isso, lança a dúvida: Se "alguém garante que as pessoas foram ao local para ver aquele artista".

 

Nascido na Gabela, no Kwanza-Sul, Madruga Yoyo vive em Luanda nas Bs, no Rangel. É pai de um miúdo de oito anos e formou-se em contabilidade, gestão e comércio.

 

Fonte: NovaGazeta

Rádio Jet7 Angola

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