Kiezos apresentam novo disco com temas inéditos

Os Kiezos vão apresentar, até ao final do mês, o seu quarto disco, intitulado “Homenagem a Vate Costa”, com temas inéditos de semba, rumba e boleiro, durante um concerto.

O director artístico do grupo, Hildebrando de Jesus “Brando”, disse ontem ao Jornal de Angola que a falta de apoios está a condicionar a realização do espectáculo. A homenagem ao músico, que morreu em 2010 com 60 anos, vítima de doença, numa altura em que grupo pensava gravar o disco em Outubro do mesmo ano, é o reconhecimento do conjunto de feitos do seu ex-vocalista.

O disco, com 11 temas cantados em quimbundo e português, tem a participação especial dos amigos dos Kiezos, com destaque para Jivago, Mister Quim, Lulas da Paixão, Augusto Chacaia, Chico Coio, Alice Ferreira (filha do cantor Xabanu) e de Zecax, já falecido.

Brando referiu que este CD tem 90 por cento de temas inéditos e novas rapsódias. “A intenção do grupo sempre foi, desde a sua fundação, a de pôr no mercado, duas vezes por ano, um disco, mas a falta de apoios tem condicionado este propósito”, disse. O disco inclui temas como “Lamento de Vate Costa”, “Mano”, o instrumental “Tributo”, “Mata-bicho”, “Ponta pé”, “Simsom” e “Kuchinguengamba”, foi gravado em Angola nos estúdios Letras e Sons e concluído no Grave sons, em Portugal.

O director garantiu que o disco foi gravado à base dos instrumentos musicais tradicionais e teve em conta os padrões modernos, para ter melhor qualidade. “Apesar das influências, o grupo nunca perdeu a originalidade em termos rítmicos, que nos tornaram os maiores executantes da música popular urbana de Angola”. Entre os membros do conjunto que participaram no disco destacam-se Brando e Texas (violas solo), Zeca Tirilene e Gegé Faria (violas ritmo), Décimos, Carlitos, Moreira Filho e Benjamim Tomás (violas baixo), Neto, Mequias Ramiro e El Mano (teclados), Abana Maior (tumbas), Miguel Gonçalves (trompete), Rui Gonçalves (trombone) João Diloba (bateria), Raquel Lisboa e Zecax - já falecido - (coros).

Fábrica de disco

Para se reduzir os custos de produção dos discos, Brando considera que a solução é a construção de uma ou mais fábricas de discos em Angola, para desenvolver e tornar o mercado mais competitivo. “Era importante para a classe artística, pois ia ajudar a evitar os grandes encargos financeiros criados pela deslocação ao estrangeiro para produção e edição dos discos”, disse.

Com uma fábrica, os preços dos discos iam baixar, a concorrência e a qualidade dos trabalhos ia aumentar, e os estilos urbanos e populares da música angolana iam ser facilmente divulgados, acrescentou.

Testemunho

O guitarrista Gegé Faria, um dos elementos do grupo, salientou ainda que o semba tem sido o género mais representativo e os demais elementos do conjunto já estão a passar o testemunho à nova geração. “Quem acompanha as actividades dos Kiezos sabe que temos dado força a muitos jovens para actuarem connosco”, sublinhou.

 

Gegé Faria recordou que os Kiezos têm vários discos em vinil, que foram agora produzidos em CD, através do Programa da Rádio Nacional de Angola “Poeira no Quintal”. O grupo nunca pararou as suas actividades, mesmo durante o conflito armado. “Em certas ocasiões, tivemos de reduzir as actividades, mas nunca deixámos de actuar”, garantiu. O segredo para o sucesso e a longevidade do grupo passam pela disciplina e organização da direcção. “O grupo tem feito várias transformações e renovações, o que tem permitido a estabilidade entre os seus integrantes”, disse o artista.

 

Casas de espectáculos

A falta de salas e salões de espectáculos, a nível do país, tem sido um empecilho para os artistas, por os impedir de exercerem constantemente a sua actividade. “Os agrupamentos são os mais prejudicados, porque o número de convites é reduzido e, ao contrário dos cantores, não podem tocar em playback nos concertos.”

 

Brando lamentou também o facto de existirem poucas iniciativas e regulamentos que obriguem as instituições culturais, centros recreativos e agentes culturais a terem também nas suas agendas actuações dos agrupamentos.

 

Outra preocupação é a falta de uma sede social onde o grupo possa ensaiar e desenvolver as suas actividades culturais. “Os bairros deviam ter escolas de música onde nós pudéssemos ensinar os jovens a tocar dikanza, puita, percursão e outros instrumentos”, realçou.

 

Fundado em 1965, os Kiezos tiveram como expoentes máximo os artistas António Miguel da Silva (Kituxi), Adolfo Coelho, Marito e Juventino Arcanjo e Fausto Lemos. Na altura da sua fundação, particularmente nos anos 70 e 80, o conjunto animava, inicialmente, as festas de bairro, onde se notabilizaram e conquistaram o reconhecimento nacional. Marito era, então, considerado um dos mais talentosos solistas angolanos. Motivados por uma paixão pelos ritmos nacionais, a música do grupo integrou, muitas vezes, as influências de estilos musicais de artistas congoleses e latino-americanos.

 

Fonte: Jornal de Angola

Rádio Jet7 Angola

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