Funeral do músico Mamukueno realizado no Alto das Cruzes

Funeral do músico Mamukueno realizado no Alto das Cruzes

 

Passavam 50 minutos das dez horas da manhã quando a urna com o corpo do músico José Matias “Mamukueno” foi sepultado no Cemitério do Alto das Cruzes, em Luanda, num clima de dor, luto, consternação e exaltação da sua obra pela Banda Poeira no Quintal e outros colegas.

 

Ficou provado de que partiu Mamukueno (Filho do Outro), mas que ficou a sua obra bem patente, pela interpretação em uníssono pelas as centenas de pessoas entre familiares, colegas, amigos e admiradores durante o funeral.

 

Os temas de sucesso do autor, como “Memória de Mamukueno”, “Ezakungiamba”, “Tambuleno” e “Nga Sakidila”, foram cantados na hora do adeus.

 

Em nome da família, o filho Artur Matias leu o elogio fúnebre. Destacou as qualidades do pai e o seu papel em prol da preservação, promoção e divulgação da música popular angolana, durante a sua carreira artística. A primeira aparição em público aconteceu em 1966, como vocalista do conjunto “Estrela Negra”, muito popular na época.

 

“Foi um pai exemplar, altruísta e abnegado que inspirou a valorização do resgate dos valores cívicos, morais e culturais, valorizando a construção de ideais para a edificação da sabedoria dos angolanos”, disse Artur Matias.

 

Considerou que  foi, igualmente, um tio, amigo e conselheiro, primando sempre pelo respeito e união familiar. “Foste a força de toda a nossa família, que exigia todos os fim-de-semana a presença dos filhos e netos em sua casa, para em família podermos compartilhar experiências e nos mantermos unidos” disse.  

 

José Massano Júnior, em nome da União Nacional dos Artista e Compositores (UNAC), reconheceu o esforço de Mamukueno em editar 20 músicas, cujas pesquisas foram realizadas nos últimos anos e que a sua morte prematura deixa o projecto a meio.

 

O vice Presidente UNAC, no elogio fúnebre, reafirmou que o músico e compositor Manukueno deixa o meio artístico angolano “mais pobre”, tendo reconhecido que o músico foi um amigo, companheiro e conselheiro, que com a sua voz “propiciou momentos inesquecíveis, que se vão manter vivos nas nossas memórias”.

 

Destacou o músico como sendo “uma estrela que brilhava no universo da música popular angolana e dotado de virtudes”, tendo, igualmente elogiado a versatilidade do artista, que a par da música exercia a profissão de pintor de automóveis. “A figura de Manukueno vai manter-se presente nas nossas vidas, por tudo o que fez em prol dos crescimento da música angolana”. Foi o último deus a Mamukueno no cemitério do Alto das Cruzes.

 

Fonte: Jornal de Angola

Rádio Jet7 Angola

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