Entrevista com "Margareth do Rosário"

Entrevista com "Margareth do Rosário", Cantora e apresentadora do programa revista musical da TPA.

 

Bonita e comunicativa, Margareth do Rosário, 29 anos, é cantora há 10. Conversámos com a artista antes de subir ao palco da Casa 70, em Luanda para três grandes shows.

Marco António de 2 anos e 9 meses, filho da artista e do marido e produtor Nambi Silva, vigiou de perto a conversa, seguindo atento os movimentos da mãe.

Os espectáculos agendados para os dias 14, 15 e 16 de Outubro servem de promoção ao álbum Em Nova Dimensão lançado no final do ano passado.

Para esta apresentação ao público, a artista quis contar com a presença de grandes músicos da música angolana como Pedrito, Bangão e Calabeto. “Uma turma pesada que tem tudo a ver com aquilo que eu fiz no novo CD”, explica Margareth do Rosário. “Queria fazer uma coisa diferente, mais adulta, algo que tivesse a ver comigo. O show vai ter de tudo um pouco: semba, zouk, morna, com os estilos próprios destes artistas”.

Ingresso na música

Natural de Luanda, Margareth do Rosário deu o salto na música angolana no programa da Televisão Pública de Angola (TPA), Gala à Sexta-feira, que visava a descoberta de novos talentos da música. Participou em três edições do programa e ficou em primeiro lugar, em segundo e em quinto lugar.

A última participação e consequente resultado deixou-lhe marcas que quase punham em causa a sua carreira. “Fiquei desmotivada e triste, tão sem coragem de voltar a participar num concurso. Mas a minha família não deixou que ficasse abatida e deu-me toda a força para chegar até onde estou hoje”. Ultrapassadas as primeiras desilusões e obstáculos no percurso artístico, entra no grupo Melo Manias na companhia de Yola Araújo e Djamila D’Alves.

Tinha apenas 18 anos e já vivia a sua primeira experiência profissional no mundo musical. “Estávamos a começar muito bem mas depois devido a algumas dificuldades que havia na música naquela época, não conseguimos singrar”. As três vozes femininas faziam covers, actuavam no Miami Beach e chegaram a participar no Festival da Cidade de Luanda. “Cantávamos com Nazarina Semedo, Kelly Silva e Nanda que eram os Miami Voice.

Foram tempos muito divertidos”, relembra Margareth com um grande sorriso. “Estávamos a aprender a cantar, éramos muito desafinadas e não tínhamos aulas de canto. Cada uma tinha o seu timbre de voz e a sua forma de cantar”, conta. “Depois resolvemos continuar o nosso caminho, foi prosseguindo a nossa festa. E hoje, cada uma de nós está com o seu projecto. Recentemente tivemos um reencontro através da TV Zimbo, onde recordámos esses velhos tempos”.

Carreira a solo

“Fui a primeira a sair, como diz a Yola”, assume, explicando o porquê: “na altura não havia empresários e as empresas não estavam disponíveis para apoiar o trabalho dos artistas”.

Nova desilusão que não a fez desistir. Seguiu a sua carreira a solo. “Mais tarde consegui um primeiro apoio do governo da província de Luanda, através da pessoa do dr. Aníbal Rocha, que foi quem patrocinou o primeiro álbum, o Love One em 2001”.

Este apoio é a prova de que, por vezes, basta alguém apostar para que um projecto avance. “Com o meu primeiro disco tive muitas receitas e o segundo álbum até já foi patrocinado por mim mesma”, conta com visível orgulho. Segundo álbum esse que recebeu o nome de Amor Profundo e chegou em 2003.

O último disco Em Nova Dimensão foi lançado em 2008 e é descrito por Margareth do Rosário como “resultado de um grande amadurecimento”.  “Neste álbum faço uma homenagem a Paulo Flores, de quem sou fã n.º 1, a Lourdes Van-Dúnem, “minha mãe” e a Belita Palma”.

A recepção do público foi positiva mas verificou--se a máxima de Fernando Pessoa: “primeiro estranha-se e depois entranha-se”. “As pessoas primeiro tiveram uma reacção ‘Ah! A Margareth mudou de estilo’ e ficaram um pouco tristes. Depois habituaram-se e agora estão mesmo acostumados com aquilo que apresentei”.

O álbum foi baptizado de Em Nova Dimensão porque nele Margareth do Rosário procurou trazer novidades que não tinha no álbum anterior. “Sempre quis fazer algo assim desde o primeiro álbum mas, como ainda só tinha bases de canto, decidi não arriscar. Pensei: deixa-me crescer um pouco mais para poder tornar-
-me maior ao cantar, e com mais à vontade”.

Morna e semba
 
Os gostos musicais da artista e os estilos que tem ouvido nos últimos anos, influenciaram-
-na na sua evolução como cantora. “Gosto muito de morna e semba cadenciado. Das vozes de Lura, Sara Tavares, Mayra Andrade, Lourdes Van-Dúnem e Belita Palma. Sons cabo-verdianos e angolanos”.

Para composição do álbum “fui buscar algumas destas influências e mudei de estilo. A música está a engrandecer com as misturas. As pessoas já procuram novos sons, misturam semba com kilampanga, com R&B e é por aí que quero ir”, revela.

Perante a inevitável questão sobre um próximo disco, Margareth do Rosário sabe o que quer. “Não tenho sede de gravar um novo álbum. Dia 11 de Outubro o disco Em Nova Dimensão completou um ano e está tudo a combinar agora com os shows na Casa 70. Não quero gravar um disco tão cedo, quero gravar lá para 2010 com lançamento em 2011”.

Mas a artista tem já desenhado na sua cabeça 
o esboço daquilo que gostaria de apresentar ao público. “Quero fazer um disco só 
de semba cadenciado e três 
ou quatro mornas. Aquele semba mesmo de rasteira. 
A bateria, coro com vozes que parecem desafinadas mas tudo dentro do alinhamento, com instrumentos antigos”, adianta.

Importante mesmo é que o trabalho seja bem feito. “Levei dois anos a gravar o meu terceiro álbum. Enquanto antigamente gravava em seis meses, agora levo muito mais tempo. Uma obra discográfica bem feita com qualidade requere outros cuidados, também devido às línguas nacionais que utilizo como o kimbundo, umbundo, kikongo”.

Mãe orgulhosa

Entre o segundo e o terceiro álbum, Margareth do Rosário, foi mãe. O pequeno Marco António mostrou-lhe a necessidade de priorizar a família. Hoje em dia, o filho recorda-lhe também como ela própria se apaixonou pelo meio musical. “Comecei com três anos. Hoje, quem me faz recordar isto é o meu filho. Eu entrava para o quarto e dizia: ‘Mãe, ninguém entra porque eu estou a cantar’.

Vivia na imaginação que estava a cantar para o público. Utilizava frascos de perfume a fazer de microfone e hoje em dia, o meu filho faz o mesmo”. A artista foi crescendo e a partir dos 15 anos começou a participar em vários concursos da Rádio Luanda de karaoke. Dina Medina, Marisa do Rosário, Roberta Miranda, Whitney Houston, Patricia Faria, Eunice José “Afrikanita”, Isadora Campos são alguns dos nomes que procurava reproduzir do seu jeito. “Consigo imitar muito bem e continuo a imitar em festas de família”, conta entre sorrisos.

Revista musical

Apesar do sucesso, Margareth do Rosário não se deixou deslumbrar. Quis ter aulas de canto e estudou com o Mestre Mateus durante cinco anos. Mais tarde teve um pequeno percalço “tive problemas nas cordas vocais na gravação do terceiro álbum e tive de fazer tratamentos para poder vencer”, conta. Margareth do Rosário é também apresentadora de televisão e, hoje em dia, faz o programa Revista Musical na TPA.

O programa procura “divulgar o melhor da música angolana, faz o lançamento de novos valores da nossa música e reporta a entrada das novas produções musicais ao mercado”. A artista conta com a colaboração de Moises Luís, com quem prepara os programas. “Estou a trabalhar há dois anos na TPA, como apresentadora estou há seis meses e como fixa há um mês”.

A experiência como cantora dá-lhe “à vontade com as câmaras”. Antes da entrada na televisão estudou Jornalismo no Cefojor e fez uma formação de seis meses no Rio de Janeiro no Brasil, onde aproveitou para fazer também um curso básico de pintura e estética.

A juntar à carreira de cantora e apresentadora de televisão, Margareth do Rosário lançou--se como empresária e abriu uma boutique de lingerie, a “Geths Lingerie”, em Luanda.Uma verdadeira mulher dos sete ofícios.

A artista assume-se sem problemas como uma mulher vaidosa. “Actualmente gosto de vestidos largos, coloridos, bem à vontade, o meu estilo é mais para missangas, roupa africana. Mas também gosto de variar de estilo. Anteriormente era muito de brilhos. Nos espectáculos agora canto descalça, é a coisa mais natural”, refere. Para os espectáculos na Casa 70 contou com a colaboração de Elisabete Santos para concepção dos vestidos e restante figurino.

Encantar o povo

Mãe, cantora, apresentadora de televisão, empresária, Margareth do Rosário diz ter tempo para tudo. “Tento concentrar-me bastante tanto na música, como na televisão e no meu lado empresarial, sem esquecer claro os meus afazeres para a casa”. Casa essa recheada com muitos prémios emoldurados na parede: Melhor Voz, Melhor Trabalho Discográfico, entre outros.

O que diz a artista de todo esse reconhecimento? “Receber prémios é uma maravilha, algo que dá força e incentivo para continuar a cantar e a encantar o povo angolano, que eu amo”, remata.

Shows em boa companhia

O convite da Casa 70 foi uma forma perfeita para Margareth do Rosário festejar o primeiro ano de vida do seu último álbum Em Nova Dimensão. A artista convidou três outros grandes músicos do panorama musical angolano para com ela dividirem o palco: Pedrito, Bangão e Calabeto. “Uma turma pesada que tem tudo a ver com aquilo que eu fiz no novo CD”, assinala Margareth do Rosário.

Trabalhos discográficos

Depois de sair do grupo Melo Manias que integrava com Yola Araújo e Djamila D’Alves, Margareth do Rosário lançou-se numa carreira a solo. O primeiro disco foi lançado em 2001 com o nome Love One. Em 2003 surge o segundo trabalho discográfico intitulado Amor Profundo. Depois de uma pausa de cinco anos apareceu novamente no mercado com o trabalho discográfico Em Nova Dimensão. Este disco é fruto de um repensar 
do estilo musical e dos sons e ritmos que pretende adoptar no futuro.

Nova Dimensão ao palco

Em Nova Dimensão é um disco onde Margareth do Rosário procurou “abordar factos reais do dia-a-dia dos angolanos. É um disco com mensagens muito profundas e no qual procuro realçar as malambas do quotidiano nacional. 
É uma forma de mostrar que estamos todos no mesmo barco e prontos a dar o nosso contributo na luta pelo desenvolvimento do país”, diz Margareth do Rosário. No disco desfilam os sons e ritmos do semba, zouk, kizomba, coladera e morna.

Estilos incluídos nos temas deste disco da cantora, que saíu a público sob a chancela da editora “Nossa Música”. Com 13 temas cantados em kikongo, umbundo, kimbundo, português e crioulo, o disco levou dois anos a ser preparado e trabalhado. Em termos de voz, Margareth do Rosário contou com Waldemar Bastos e Rita Lobo, com quem fez duetos, Carla Moreno, Yura e Cachucha nos coros.

Neste disco, a artista que fez uma nova versão da música “Monami” da autoria de Lourdes Van-Dúnem e outras de Belita Palma e Rosita Palma, incorporou temas cujas letras foram escritas por Matias Damásio, Lulas da Paixão, Wiza, Jorge Cervantes, Chico Viegas, entre outros. Do disco, cem por cento acústico, fazem parte temas como “Monami”, “Eyavalo”, num dueto com músico Waldemar Bastos, 
“A Volta”, com participação de Rita Lobo, “Kalumba”, “Ilha”, “Volta Amor” e “Manazinha”.



Perfil
  • Nome: Margareth do Rosário Afonso Joaquim da Silva
  • Data de Nascimento: 
14 de Maio de 1980
  • Filhos: Marco de 2 anos e 9 meses “uma criança maravilhosa que deixa a casa altamente feliz”
  • Pratos preferidos: Funge de carne seca, calulu, cabidela
  • Bebida: Água, sumos e um bom champanhe
  • Música: Whitney Houston, Alcione, Paulo Flores, 
Yola Semedo
  • Filme: Titanic
  • Actriz: Thaís de Araújo
  • Perfume: Miss Dior
 
Fonte: Opaís

Rádio Jet7 Angola

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