Entrevista com rapper angolano "D-One" da Army Squad

Entrevista com rapper angolano "D-One" da Army Squad

“Temos muitos artistas criativos, apesar de que muitos preferirem copiar algo já criado, por terem medo de não atingirem o sucesso.”

O Jet7 Angola entrevistou o rapper angolano D-One, integrante do grupo “Army Squad” e da produtora “Army Music”, e abordou aspectos sobre o grupo, seu percurso a solo no rap, projectos profissionais e ainda sobre a polémica de plágio levantada por Miguel Neto em torno do seu grupo.

Acompanhe a entrevista:

Jet7 Angola: Quem é o D-One e qual é o significado do nome?

D-One: D-One é Adilson Jorge Andre Felix, mais conhecido por Adi (para os mais chegados). De Adi se criou o diminutivo “Di“ e o One é usado como sinónimo de união (One Love, One Blood, One God).

Jet7 Angola: Fale-nos um pouco do seu percurso artístico e sobre as suas referências musicais.

D-One: Comecei a escrever a partir dos 14 anos, isso quando fui estudar para África do Sul. Uns meses depois conheci o Sandocan, na sala de aulas e formamos o grupo Army Squad. De lá para cá, produzimos o nosso primeiro álbum “Firme” e dois álbuns a solo do Sandocan.

Tive como referência artistas americanos que faziam o estilo Rap, como 2Pac, Notorious BIG e Jay-Z.

Jet7 Angola: O D-One residiu no exterior. Pode falar-nos um pouco sobre a sua experiência longe de Angola?

D-One: Saí de Angola em 1997, foi uma fase de adaptação difícil, pois ainda sentia que precisava de ter os meus pais do meu lado, mas embora isso, depois de alguns meses fui me adaptando melhor, pois tinha o apoio dos meus irmãos, que já viviam fora do país. Tive apenas 3 meses de inglês para depois começar a estudar no ensino escolar na África do Sul.

Graças a Deus conclui o médio e a faculdade na África do Sul. Apesar de estar exposto a uma cultura muito diferente da nossa (mais liberal), consegui conciliar os estudos e a música. Em 2005 o grupo (Army Squad) voltou para Angola e eu aproveitei uma oportunidade de fazer outra licenciatura, dessa vez no Reino Unido (Londres). Regressei a Angola em 2008 com mais um diploma (Bacharelato em Ciências da Computação)

Jet7 Angola: O grupo Army Squad surgiu no mercado com a música “Os Amigos”, da primeira obra discográfica “Firme“. Será que os elementos do grupo estão firmes e continuam amigos?

D-One: Sempre firmes e sempre amigos, somos como uma família.

Jet7 Angola: A maior parte das pessoas tem alguma dificuldade em distinguir o trabalho do grupo com o trabalho a solo dos seus elementos, nomeadamente de Sandocan. Quantos álbuns tem a Army Squad?

D-One: Army Squad tem 1 disco no mercado intitulado “Firme“, durante o período que fazíamos parte da produtora “BuedBeats”.

Em 2007 formamos uma nova produtora “Army Music”, e produzimos os dois discos a solo de Sandocan. Creio que a dificuldade em distinguir os trabalhos, acontece porque os dois trabalhos a solo de Sandocan tiveram praticamente a participação do grupo (Army Squad) em todas as músicas.

Jet7 Angola: Um grupo é constituído por vários elementos, e naturalmente, cada um tem as suas ideias. Qual é o segredo para gerir as diferenças e superar eventuais divergências?

D-One: O nosso elo de união, amizade e irmandade permite isso. Muita das vezes discutimos sobre certos temas em que cada um tem uma opinião, mas no final temos que pensar no colectivo e no bem do grupo. As nossas diferenças, habilidades de escrever, criar e pensar é que tornam o grupo o que é hoje.

Jet7 Angola: Quer falar-nos um pouco sobre o seu projecto com o “Angolan Scratch Djs” ?

D-One: O Angolan Scratch Djs é um grupo de Djs que visa promover mais o produto nacional. Estão mais inclinados para o Hip Hop, mas também há músicos na produtora. ASDJS Records de fazem outros estilos. Eu juntei-me a eles porque achei interessante o projecto (Produto Nacional, EP já está disponível para download), e escrevi a música “ Só Mais 1“. Assim como já participei em outros projectos de Hip Hop como as mixtapes do Deejay Soneca (Volume1,2,3) e dos músicos da Army Music (Unicorn, AriG, Sandocan). São apenas participações a solo em projectos dentro e fora da Army.

Jet7 Angola: Como é que vê o Hip Hop angolano neste momento?

D-One: Hip Hop Angolano esta em bom caminho, cada vez mais a crescer. Temos mais músicos, mais música a ser produzida, mais estúdios pra se gravar, e mais produtores e realizadores no que concerne ao crescimento do movimento.

Jet7 Angola: Tendo em conta a evolução tecnológica, nomeadamente com o surgimento da Internet e das redes sociais, que diferenças é que vê entre os artistas da Old School e os da New School?

D-One: A diferença é que um artista da New School tem mais facilidades em divulgar o seu trabalho. Os artistas Old School eram muito dependentes das rádios, televisões, jornais e revistas. Hoje a Internet ajuda bastante nesse sentido.

Jet7 Angola: A atribuição do prémio ao Yannick “Afromam”, pela rádio Luanda, suscitou algumas críticas nas redes sociais. Qual é a sua opinião sobre este incidente?

D-One: Não sei de facto qual é o critério usado para se fazer a votação, acredito que a maioria das pessoas não contavam com tal premiação mas acho que coisas destas acontecem até mesmo nos países mais desenvolvidos.

Jet7 Angola: Sabemos que o meio artístico não é fácil. Qual foi a experiência mais difícil que viveu desde que iniciou a sua carreira musical?

D-One: Creio que foi o incidente no qual, o Miguel Neto, durante 8 semanas usou o nome da Army Squad, para falar sobre plágio.

Usando um meio de comunicação (rádio) para tocar num assunto que ele próprio tinha poucas bases para sustentar. Aquilo criou em algumas pessoas certas incertezas sobre o trabalho que fazíamos ao ponto de descredibilizar o grupo. Mas graças a Deus o grupo não foi a baixo.

Jet7 Angola: Acha que temos muitos artistas criativos em Angola ou são ainda muitos os que têm medo de arriscar e de criar coisas novas?

D-One: Temos muitos artistas criativos, apesar de que muitos preferirem copiar algo já criado, por terem medo de não atingirem o sucesso

Jet7 Angola: Acha importante os artistas promoverem músicas que contenham uma mensagem positiva sobretudo para uma sociedade como a nossa, que tem graves problemas ao nível cultural e dos valores morais?

D-One: Com certeza. A essência do Hip Hop é a mensagem e é um estilo que nasceu nas ruas, feito por jovens.

Jet7 Angola: Como em qualquer área da vida o apoio dos amigos e familiares é importante, sobretudo em momentos difíceis. Com certeza que tem esse apoio da família e dos seus amigos. Mas se tivesse que dividir o sucesso da sua música com alguém, quem seria?

D-One: Dividiria com Deus em espírito, com a Army Squad e com a minha família.

Jet7 Angola: Quais são os seus planos para o futuro?

D-One: Continuar a crescer nas duas vertentes que bem me afirmo (músico e engenheiro informático). Quanto à minha vida pessoal, quero ser feliz e aumentar a família.

Jet7 Angola: Quer deixar uma mensagem para a Nação?

D-One: Não esperem, vão buscar

Perfil
Nome Completo: Adilson Jorge André Félix
Data de Nascimento: 04/06/83
Nacionalidade: Angolana                
Natural de: Luanda
Estado Civil: Casado
Filhos: 1
Divertimentos: Basketball, Viajar, Cinema, Leitura .
Filmes Favoritos: Friday, Bourne Idendity, Matrix, 8 Mile, BatMan DarkNight
Músicos Favoritos: Notorious BIG, 2Pac, Jay-Z, Snoop Dogg, Bob Marley, Fugees, Wu-Tang.
Livros Favoritos: Bíblia, Pai Rico Pai Pobre, Quem Me Dera Ser Onda.
Eu sou viciado em: Cultura Hip Hop (Deejaying, Graffiting, Mcing, B-Boying) os quatro elementos da cultura Hip Hop. Ver Tv (Noticias, Jogos, Filmes)

Fonte: Jet7 Angola

Rádio Jet7 Angola

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