Entrevista com o músico «Kueno Aionda»

Assume-se como um cantor ousado na forma de vestir, mas sobretudo “infeliz” por compor letras de partir o coração. Amante da rádio e da música, confessa não se sentir à vontade por ser uma ‘estrela’ reconhecida na rua e admite ser justo que as pessoas confundam as suas preferências sexuais.

Que recordações boas e más traz do tempo em que não aparecia nos media?


A recordação boa é que naquela altura tinha mais privacidade. Sem querer ser injusto, se pudesse fazer o meu trabalho, ser um cantor conhecido e reconhecido, ter sucesso, ganhar dinheiro sem dar a cara, eu faria isso. Porque naquela altura as pessoas não conheciam a minha casa. Ia a todos os sítios, andava à vontade. Não é um mal de todo, mas a privacidade é algo que faz muita falta.

 

A partir do momento em que as pessoas passaram a conhecer o seu trabalho, confundiam-no com um homossexual… "Sou infeliz a compor"


Sou daquelas pessoas que leva tudo na boa, mas provavelmente confundiram a voz à de um homossexual, pelo facto de a minha voz não ser muito grave nem tão aguda. Acredito que seja esse o motivo da confusão.

 

Mas é homossexual?


Sou homem e sempre que as pessoas me fazem essa pergunta, digo que no meu Bilhete de Identidade o sexo está masculino. Se isso não for suficiente, a culpa não é minha.

 

Que referências teve para ser estilista das suas roupas?


A questão de criar estilos muito exclusivos tem a ver com o gosto, algo que é nato. Gosto de inovar e criar coisas diferentes. Infelizmente o mercado nacional não me permite realizar todas as minhas loucuras em termos de indumentária. Digo isso porque somos ainda muito fechados, ainda interpretamos mal. Tenho gostos diferentes e na roupa gostava de ser mais ousado, viajar um pouquinho mais, mas não consigo porque temos sempre de levar em consideração as pessoas, porque o nosso meio social não está preparado para receber, por isso é que nos últimos tempos uso mais roupas compradas do que feitas.

 

Não volta a fazer as suas roupas?


Faço e vou voltar a fazer, mas coisas mais modestas. As minhas ideias estão muito mais avançadas do que aquilo que é o contexto angolano.

 

Se tivesse uma proposta de ser estilista, largaria a música?


Nunca estilista, sempre cantor, sempre foi a minha prioridade. Nas suas músicas, é muito sentimentalista e não fala sobre os fenómenos que abalam a sociedade… Foco muito o amor. Não que não me cinja à sociedade, o amor faz parte da sociedade, mas particularmente canto muito o amor. Costumo dizer às pessoas que sou infeliz nas minhas composições, porque estou sempre a sofrer, mas a minha felicidade está em cantar coisas tristes, em lamentar.

 

Porque é que no seu álbum não tem participações?


Na altura em que comecei a gravar o disco, há quatro anos, não era fácil pedir participações, hoje em dia, sem falsas modéstias, já é bem mais fácil, mas é complicado porque o álbum encontra-se fechado.

 

O que lhe diz o ano de 2002?


Foi o início desta minha tentativa para um lugar a solo, participei no ‘Canta Canta’ que era um programa da Rádio Luanda.

 

Como vê a juventude angolana de hoje?


Precisamos de fazer um grande trabalho com a juventude, porque ela se encontra um pouco desvinculada daquilo que são os valores que deveriam pautar as suas vidas. Os jovens estão a beber muito, perdem muitas noites, não estão a cuidar de si como deviam e tudo isso não é por falta de informação. Muitos deles são universitários, têm uma educação de berço aceitável, mas infelizmente hoje em dia temos muita influência externa, TV, internet e o mundo está numa dinâmica tal que, às vezes, só a educação de casa não é suficiente. Muitos jovens estão numa má situação, mas é importante que eles pensem no futuro. O futuro do país está nas nossas mãos, de todos nós, jovens. Devemos colocar a cabeça no lugar e fazer coisas positivas para que a repercussão futura seja melhor e que nos garanta uma satisfação e uma carreira que nos compense, porque ficar em bebedeira,  festas e discotecas só não leva ninguém a singrar na vida.

 

Perfil

Nome: Kueno Merquides Vieira Aionda
Aniversário: 29 de Maio
Estado Civil: Solteiro
Filhos: Um, de quatro ano, Kiame
Formação: Gestão Comercial e Marketing, mas pensa trocar para comunicação social
Desporto: Hóquei em patins e basquetebol. Pratica Ginásio para manter a forma
Desportista: Manucho Gonçalves
Clube: Já fui do Petro agora sou neutro
Línguas: Lingala, inglês, espanhol e português
Carro: Kia Rio
E o dos sonhos: Ranger Rover

 

Fonte: NovaGazeta

Rádio Jet7 Angola

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