Cineasta James Cameron defende melhorias no 3D

 

Desde que Avatar arrecadou 2,8 biliões de dólares norte-americanos, Hollywood inundou os cinemas do mundo com filmes em 3D, mas alguns especialistas do sector dizem que o público está a começar sentir-se “afogado” por essa nova tendência, informou ontem a agência Reuters.

 

Embora nesta temporada alguns filmes em 3D tenham superado a marca global de 1 bilião de dólares, há queixas na imprensa e entre os espectadores sobre a má qualidade de alguns filmes que são convertidos para este formato, em vez de serem filmados directamente

 

James Cameron, realizador de Avatar, disse, numa entrevista concedida à Reuters, que Hollywood precisa fazer algumas mudanças para reconquistar os fãs. Ele e o seu sócio Vince Pace andam ocupados a preparar as sequências de Avatar, além de colaborar com cineastas como Michael Bay, de Transformers, e Kevin Tancharoen, de Glee 3D, dois filmes que usaram as câmaras Fusion 3D, criadas por James Cameron e Vince Pace especialmente para Avatar.

 

O realizador disse que alguns estúdios estão a prejudicar o negócio do 3D e que em breve Hollywood vai oferecer descontos para bilhetes dos filmes em 2D. O cineasta falou ainda com exclusividade à Reuters sobre o formato 3D.

 

Reuters – Justifica-se a reacção negativa depois do lançamento de todos os filmes em 3D?

 

James Cameron – Acho que a imprensa exagerou na chamada reacção. Se você olhar a receita total, não é um problema. Há mais filmes em 3D do que nunca. Então, eles tendem a dividir o mercado, mas o orçamento total do 3D cresce consistentemente desde que começou, há quatro ou cinco anos.

 

R – O que acha que Hollywood precisa fazer para envolver o público nos filmes em 3D, do ponto de vista criativo?

 
JC – Este é um bom momento para Hollywood admitir que precisa se empenhar mais para manter a ideia de que o 3D é uma experiência única. Não podemos seguir caminhos baratos para oferecer um título em 3D no mercado. Não sou um grande fã da conversão para o 3D, porque acho que produz o que eu chamo de “2D e meio”. Ele não tem a profundidade do 3D nativo, que foi realmente fotografado em 3D. A pós-conversão tende a ser um pouco mais dura para os olhos e não dá uma boa experiência de profundidade.

 

R – Então, para onde vamos?


JC – Duas coisas estão a acontecer. Uma, que o 3D não é tão exótico quanto já foi, e as pessoas estão a perceber que não devem ir ver um filme só porque é em 3D. Quando era exótico, as pessoas iam ver qualquer coisa em 3D. Segundo, há mais filmes em 3D por aí. As pessoas estão mais selectivas com o que vêem em 3D com base apenas no filme em si, no argumento e nos actores. Sempre previ que isso acontecesse quando o 3D encontrasse o seu lugar de direito, assim como foi com a cor e o som.

 

R – O valor mais caro dos ingressos para filmes 3D, especialmente na economia actual, está a ter impacto na bilheteira?


JC – Conforme o tempo passar nas próximas temporadas, ficará cada vez mais difícil defender o preço para a experiência única do 3D. Não porque a qualidade não está a ser mantida, mas porque mais e mais filmes são feitos em 3D e, em determinado ponto, a maioria, ou seja 51 por cento ou mais, dos grandes filmes vai ser feita em 3D. Quando o 3D for o padrão, você tem que dar um desconto para os filmes 2D, porque não se pode cobrar um valor especial para os filmes em 3D.

 

Fonte: Jornal de Angola

Rádio Jet7 Angola

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